suspiros

…#Festivalfeelings!

Posso gritar?

Eu não sabia se ria, se pulava, se chorava, se gritava, mas aquela sensação eu prometi que queria sentir pelo menos uma vez por ano…

EU TÔ NO ROCK IN RIO, me belisca, me belisca!!

Minha jornada por festivais de rock começou ano passado, assim que abriu as vendas para o Rock in Rio eu só sabia de uma coisa: eu vou. Ingressos comprados, nunca tinha ido no Rio, não conhecia ninguém no Rio, nenhum dos meus amigos iriam para o festival, deve ter ponte ou viaduto por lá.

Pelo falecido Orkut encontrei as melhores companhias do mundo e hoje amigos, depois de mil conversas via comu e msn, chega o dia! Todos prontos? Por foto você parecia maior, cadê o resto??E olhe que foram dois que falaram a mesma coisa, gente eu sou um tamburete viu!!

E foram 3 dias inesquecíveis, de muitas histórias, shows de arrepiar, aventuras, e eu prometi: quero isso sempre!!

Para mim a atmosfera de Festival é algo distinto, meio “peace and love”,  todos vão com a vontade de fazer daquele momento o mais especial possível, é um clima de inesquecível, de aproveitar até a última gota, uma mistura disso, daquilo, que dá uma sensação de de de…arrepio, aquele arrepio quente do calor de 100mil pessoas, da grandiosidade, de uma estrutura fantástica de encher os olhos, do gosto maravilhoso do chopp gelado de Heineken, do uníssono lindo das vozes em coro, da orquestra de palmas sincronizadas…

F5, F5, F5, F5…muitos F5 depois às 6am aêêê vou cumprir minha promessa para 2012, Lollapalooza ai vou eu!

Sexta-6:40am saída de Porto Velho, atraso de 1h do voo, oi, tudo bem?

Uma das coisas que eu mais gosto nessa vida é conhecer pessoas, ouvir histórias de vida é tão bom, quem me conhece sabe como eu gosto de falar um pouquinho muito, mamãe colocou água de chocalho na minha mamadeira, deu trela, já era.

De PV a BH conheci um empresário carioca que estava vindo Acre e indo para o Rio , do ramo de cosméticos, escritor, me mostrou o livro que terminara de escrever, sinopse muito boa, mal posso esperar para vê-lo nas bancas. Conexão, troca de avião, BH-Campinas do meu lado um mineiro caça talentos de futebol que mora na Itália, trabalha com Cafu, e tome a falar de futebol…

Em Campinas, badalar com minha linda baianinha e agora companheira de aventuras, shows e mochilão no fim do ano.

Sábado- Espera deixa eu trocar de bolsa, o máximo que pode acontecer é eu não achar ingresso e voltar. Lá fomos nós para SP, com a cara, coragem e esperança de encontrar na hora o ingresso de Lu. Da rodo direto para o Jockey Club.

Conseguimoooooos,AÊÊ!! E eu senti novamente aquela sensação maravilhosa que só os Festivais grandes tem!

Agora vamo comer que a fome tá grande!

Sim, tinha homenzinhos com mochilinhas massa iguais as do RiR com chopp de Heineken para nossa alegria.

Quem vendeu cerveja para vocês? Foram os homenzinhos das mochilas!Tem de ter a pulseira de maior de 18. Rejuvenesci 7 anos, melhor que Renew.

Ao longe avisto uma loira balançando os braços desesperada, Xarááááááá!!Uhuuu consegui encontrar meu casal predileto dos tempos de universidade, rever amigos é tão bom neh. Não conte com sinal de celular, é uma sorte quando se consegue, no RiR e no Lolla foi a mesma coisa.

Abaixo para amarrar meu cadarço, levanto, e…cadê minha cerveja?Vendi!Como assim? O cara me deu uma ficha por teu copo pela metade…

Ele vai pu…lar, e Falcão se joga na galera!O Rappa bota para descer!

Não pisa ali quem tem lam…

I LOVE ROCK N´ROLL!!!

E começa o show antológico, lindo, perfeito, de Foo Fighters, arrepiante, minha voz foi embora de tanto cantar, gritar, minha adolescência passa em flashback na cabeça, 2h e meia e minhas pernas ficaram um pito de tanto pular.

Água, água, preciso de água, mais sede que de beduíno no deserto, m-o-ç-o m-e d-á…tome pode levar!

E essas fichas? Me dá tudo de lanche!

Domingo-6am Acho que eu tenho de voltar neh, queria muito ter ido para Arctic Monkeys, mas o dever me chamou. Só que dessa vez não teve conversa, apaguei. Conexão em Manaus hora de mudar o fuso de novo, e lutar com o equilíbrio de cabeça para não dormir na espera e perder o voo.

9h de voo, 4h de conexão, 2 dias praticamente sem dormir, e faria tudo de novo…

E que venha mais e mais Festivais…

Obs: um brinde às 100mil visitas!Agora tem de virar!

…ao som de Foo Fighters!

suspiros

…quando eu crescer quero ser Engenheira Eletricista!

Selecionar fuso horário: GMT: -4:00, Horário do Amazonas.

Campina Grande, em uma bela madrugada de “estudo”, regada a muita comida as 3 mosqueteiras conversavam sobre seus possíveis futuros: se me chamarem para ir trabalhar no meio dos matos na Floresta aceito na hora. Tu é doida Camila!

Não aqui não tem índio de tanguinha, não vi nenhuma onça ainda, Sucuri me mandaram passar longe dos Igarapés que são cheios, mosquitos isso eu vi muito e são estilo mutante.

Porto Velho, Rondônia, você parou para pensar que esta mais perto do Pacífico do que do Atlântico, que a única pessoa que você conhece é seu chefe que vive viajando, que você não tem nenhuma experiência de trabalho além dos laboratórios e pesquisa da universidade, que vai ter de tomar conta sozinha de uma obra gigante com 80 piões, o ambiente de trabalho é dominado por homens e o sol, ah…o sol é escaldante. Calcei minha bota, e fui.

Subestação sempre foi a minha menina dos olhos da graduação,  fiquei encantada na minha primeira visita técnica na disciplina de Equipamentos, no laboratório fazia questão de abrir os equipamentos, meter a mão, futucar tudo, os meninos já me davam logo uma chave de fenda.  No meu TCC escolhi como tema algo relacionado com HVDC porque achei muito interessante a tecnologia, transmitir energia a longas distâncias com menor perda, as estações de conversão eram fascinantes, ralei para achar material, ninguém da universidade trabalhava com isso, e lá vai eu doida escolher esse tema.

Uns chamam destino, outros coincidência, eu chamo de boas escolhas e oportunidades.

Sabe criança com aquele brilho nos olhos que dá gosto de ver, eram os meus ao conhecer a obra.

Quase 3 km², uma parte pequena de 230kV que vai para o Acre, outra parte de 500kV em AC que recebe 3300MW de 3 linhas da usina de Jirau, e 3150MW de 4 linhas da usina de Santo Antônio, 2 prédios com as estações conversoras AC/DC, uma parte de 600kV DC que transmite a energia para a maior linha de transmissão do mundo em HVDC de 2375km direto para Araraquara em SP onde é interligada ao SIN (Sistema Interligado Nacional) e manda energia para sua casa.

É tudo imenso, os transformadores instalados tem 550 toneladas, as paredes corta-fogo parecem de usina, muito grande, é tudo grande, e lindo.

A obra é tão grande que foi dividida em lotes entre várias empresas como a Odebrecht, Semp Toshiba, Abengoa, Montrel( empresa que eu trabalho),  entre outras. Os equipamentos são da fodástica ABB, vei, eu conheci os suecos da ABB, coisas que vi no papel, e toquei com essa mãozinha aqui de nada quem nem tamanho de gente tem e vou ver funcionando. Isso é lindo!

Eu to sugando conhecimento mais que aspirador de pó no turbo, meu chefe é nível Yoda em construção de subestação conhece a parte civil, mecânica, elétrica, montagem, operação, sabe muito.

Além de a obra ser de uma magnitude incrível, um dos motivos principais de eu ter vindo foram as pessoas com muita experiência na área que estou conhecendo. Esse sábado estava eu almoçando a feijoada delicia no refeitório quando chega o Godfather da obra toda,  um senhor Boliviano de barba branca,  no meio da conversa eis que ele diz que se formou em 73 na UFCG, oxi, eu também oia que mundo pequeno. E tome rasgação de seda da UFCG, orgulho da universidade que me formei.

Como disse meu chefe viaja muito, com uma semana de experiência estava eu sozinha para tomar conta de tudo, mas é tudo mesmo, a única engenheira da empresa na obra sou eu, a menina que íamos contratar para o RH desistiu da vaga, virei uma faz tudo e com muito prazer do que faz, do administrativo, financeiro ao técnico, o que não sei aprendo na tora. 80 piões e uma obra imensa!

É muito gratificante ver a evolução do trabalho, um pátio que só era terra, no fim do dia ter pórticos e vigas, no outro equipamentos, no outro pátio ver as caixas de junções sendo montadas com trocentos fiozinhos, e eu aprendo que chicote não é só o de bater também tem nos equipamentos, brasileirinho é o fio terra por causa da cor verde e amarela, Manaus é um tipo de cabo do barramento, macaquinho é um negocinho no suporte dos painéis…aprender é tão bom e na prática é melhor ainda.

Fui muito bem recebia por todos do meu chefe, a piãozada, e os funcionários das outras empresas, isso ajudou muito, é difícil ficar tão longe da família e amigos e ainda mais em um local altamente masculino, fui conhecer uma mulher 1 semana depois, por sinal muito gente boa que trabalha no RH da Abengoa.

Passo o dia inteiro na obra, tomo café e almoço junto com a piãozada, eu fico impressionada com o jogo de equilíbrio para comer a montanha dos pratos.

Muitos deles são haitianos que vieram em busca de melhores condições de vida, são os que fazem os melhores trabalhos, quatro deles trabalham junto com uma das equipes da minha empresa. São os mais sorridentes, todos os dias quando vou tirar as fotos para o RO fazem pose, me pedem para tirar foto: Dona Camila, foto, foto. Até amanhã! Dou muito  valor a quem tem que derramar o suor para trabalhar e teria muitos motivos para não sorrir ou reclamar da vida e são os mais sorridentes.

As maiores lições de vida que eu aprendo são das pessoas mais simples, que me ensinam sempre a valorizar tudo que a vida me dá todos os dias.

O trabalho no campo é duro, o sol daqui é muito quente, e o clima é maluco, tá um sol de matar e do nada fecha tudo e cai uma chuva tensa.

Me lembro como hoje quando era pequena me escondia embaixo da cama para esperar meu pai chegar do trabalho, ele tirava as botas e jogava as meias no meu rosto eu pegava no pé dele para fazer susto e me acabava de rir. Todos os dias quando chego, tiro minhas botas iguaiszinhas as dele, no futuro contarei a história aos meus netos e eles vão passar pela subestação e dizer: minha avó ajudou a construir.

 Da sessão o mundo é um caroço de azeitona, um dos meninos que se formou na turma de elétrica antes da minha estava trabalhando em Porto Velho, eu jurava que era na Usina, quando ele me manda mensagem: vi uma ruiva andando na subestação no Lote C hoje era tu? Ele não só estava trabalhando na mesma subestação que eu como no lote vizinho.

No fim de semana passado sai com ele e os meninos da Abengoa, se eu for depender de conhecer mulher aqui vou sair nunca, preciso ir para salão de beleza. Eu pensava que só ia ver índio, mas é uma misturada retada, gente de todos os tipos, tem até Ferrari no fim do mundo, na boate era sertanejo tinha cowboy vestido com chapéu, cinto e bota que dançavam batendo pé quase quebrando o chão. Sempre brinquei que ia ser marinheira, não ia casar e ter um amor em cada Porto, não imaginava que o Porto que me referia era Porto Velho,  quando chego na boate, a primeira coisa que vejo: Jack Danieeeeeels, meu amor.

Cada dia é um novo aprendizado, profissionalmente foi a melhor decisão que eu tomei, emocionalmente é difícil pela saudade, essa semana minha mainha foi assaltada, passou mal e tudo, meu coração apertou de um jeito, era eu chorando daqui e ela de lá, distância é uma coisa muito ruim e mais uma vez ela entra na minha vida. E o que me dá força para continuar aqui é que sei que poderei retribuir todo esforço que ela fez para eu conseguir o meu sonho de ser engenheira, e em breve quando meu irmão terminar o ensino médio não deixarei ela trabalhar mais, agora é a minha vez de cuidar dela.

No pain, no gain.

…ao som de Sigur Rós!

devaneios · suspiros

…Parabéns pelos 4 aninhos!

Parabéns para você, nesta data querida…e hoje meu querido e amado blog completa 4 anos de existência.

Reli meu primeiro post, alguns outros, eita menina que escreve viu e eu nunca imaginaria 4 anos atrás que mais de 96 mil pessoas passariam por aqui, é gente com força.

Quem escreve sabe o quão gratificante é alguém dizer: li seu texto, seu poema, sua história, li você.

Meu objetivo inicial quando fiz meu blog era não perder o que escrevia, em relação a livros, ou escrita sou antiquada e daquelas que gosta de tocar na página, de borrar de café, de sentir o cheirinho do momento, e por isso escrevia meus textos em papel, sou do tipo bloquinho de notas, quando menos imagino surge um texto enorme na minha cabeça por um piscar de olho, uma folha que cai da árvore ou um prato quebrado e perdia muitos deles, e na troca, troca de HD´s também, sabe de uma quero ver perder o que eu escrevo agora, vou fazer um blog.

Ele virou um caderno público de algumas das minhas memórias e opiniões, como um álbum de fotos com letras, é engraçado e bom ler posts antigos ver o quanto mudei, o quanto continuo fazendo as mesmas merdas e burradas, o quanto amadureci, as pessoas e lugares incríveis que conheci, os momentos maravilhosos que vivi.

E o melhor disso tudo, chegar um e-mail de alguém lá na Cochinchina dizendo que divide a mesma opinião que a minha, ou que discorda, que tem o mesmo gosto que o meu, ou então de alguém bem pertinho com palavras lindas que faz a besta aqui se derreter toda e muitas vezes chorar.

E eu me toquei agora que a descrição do meu perfil ainda é a mesma:

…uma menina que saiu de longe em busca dos seus objetivos numa cidade desconhecida ou melhor, em outro estado. Chegou sem conhecer ninguém, foi aos pouquinhos criando raízes nesse novo lugar, fazendo sua breve história a cada dia enquanto esta por aqui. Qual o objetivo dela? Fazer o curso que ela tanto ama. Sonhadora, mas caminhando pela realidade, gosta de suspiros vindos de bons filmes, muitos seriados, boas leituras, viagens, chocolate…e claro, música, muita música. Adora escrever…divagar em devaneios. O mal dela? Ser lerda demais…mal de baiano, e muito orgulhosa, odeio esse defeito dela. Essa menina? É sim, Camila Maciel! Prazer, pode entrar.

Objetivos, acho que essa é a palavra que mais ecoa e reverbera na minha vida, e na de todo ser humano, o que muda é o como, quando e o que, tudo isso o que vai definir se vai ser alcançado é o planejamento, ou seja o caminho.

Meus próximos objetivos? Em março completo 1 ano morando na minha amada Bahia, que quis tanto poder voltar quando estava para alcançar meu tal objetivo do perfil do blog, lutei e consegui, mas…lá vai eu me mudar novamente e dar adeus, quer dizer até logo.

Com o passar dos anos nossos textos se tornam mais elaborados, os objetivos mais complexos com ponderações maiores proporcionais ao que queremos alcançar, o peso austero da idade, fazer o alicerce para plantar uma bela árvore forte.

Carreira profissional, esse é o astro do meu caminho, sempre em primeiro lugar, em optar qual universidade eu quis cursar, o curso, o mestrado e agora o trabalho, que com uma imensa alegria de criança que ganha o brinquedo que escolheu, eu vou trabalhar com o tema do meu TCC, HVDC, não na época eu não imaginava, o escolhi porque achava muito interessante e resolvi fazer sem saber se um dia trabalharia com isso pois aqui no Brasil a tecnologia é muito nova, mas como diria o kinder ovo a vida é uma surpresa.

E lá vai eu para uma nova vida, em uma nova cultura, no meio da Floresta Amazônica, novos aprendizados,  novas lições, novas pessoas, eu vou ver se o Acre existe afinal fica do lado.

O meu muito obrigada a cada um que passou por aqui e dividiu um tempo da vida comigo.

Segundo algum autor famoso que não lembro o nome a diferença entre você hoje, e daqui há um ano são os livros que você leu, as pessoas que você conheceu, e os lugares por onde passou.

Que venham mais objetivos, mais histórias, mais livros, mais músicas, mais amores, desamores, mais pessoas, mais letras, mas suspiros e devaneios…

 Ps: a foto é do meu primeiro post: …e eu vou seguindo! eita minhas fitinhas de hippie na perna, quem diria que eu iria conseguir ficar sem elas heim. Desde minha formatura que não coloquei de novo, será que já posso me considerar uma mocinha?

…ao som de Kings of Leon!

devaneios

…Hora do jantar!

Frágil.

Oasis, tá, deixa o random escolher, sinta:

Maybe I just want to fly
I want to live, I don’t want to die
Maybe I just want to breathe
Maybe I just don’t believe
Maybe you’re the same as me
We see things they’ll never see

You and I are gonna live forever…
Merece trilha, já está tocando? Live forever.

Sábio random.

Hoje vai ser aipim com carne de sol, passa a manteiga, esse menino tem de estudar mais, essa menina tem de fazer concurso.

Essa é uma das rotinas cotidianas de muitas famílias, para mim isso é uma das grandes alegrias que a muitos anos não tinha: um simples jantar em família.

Desses jantares estilo comercial de margarina, com mãe, pai, filhos, cardápio simples, manteiga derretendo, assunto estilo futuro dos filhos, ou algo que aconteceu no dia como uma baliza mal feita pela filha, o café tá pronto.

Faz tanto tempo que não tinha um jantar desse que nem lembro se tinha 15, 14 ou 13 anos na época, me lembro que chorava muito, quando meu pai ia embora, mas escondida só meu irmão mais novo tinha direito de chorar abertamente.

Na semana do Natal recebi a pior ligação da minha vida, tinha ido a um churrasco no interior do interior da minha cidade: passa para Camila. Sua mãe esta no hospital, venha para cá agora. Onde? Hospital?

Os 20 minutos mais demorados e aguniantes da minha vida, uma estrada sem fim e um filme que passou tudo em minha mente.

O melhor abraço do mundo, dura para sempre por favor, nunca, nunca, me deixa.

Frágil. A minha, a sua, a de qualquer um, a de quem a gente ama.

E o melhor de tudo são os simples momentos, um abraço, um jantar.

Minha mainha pregou uma peça chamada susto, que faz uma das principais indagações do homem fervilhar: como nossa vida é frágil.

Pais, seres imbatíveis, imortais, mais fortes que qualquer X-men. Humanos, frágeis, susceptíveis a qualquer acontecimento simplório.

Cuidar, papeis que se invertem, descansem, nós cuidaremos de vocês.

Há muito tempo que não tinha minha família inteira reunida, com direito a almoço, jantar, conversas banais e tudo que um comercial de margarina feliz tem direito. De repente meu pai surge em Bonfim, 10 dias que para muitos seria simples rotina diária, mas para mim significava muito.

Meu alicerce é minha família, tudo que aprendi, o que sou, o que planto, o que colho, é proveniente deles. Toda estrutura por mais forte que seja, quando há um abalo em sua base tudo se move.

A gente pensa que pode controlar tudo, planejar quando iremos crescer, trabalhar, ai vem uma coisa chamada vida, que se diz frágil e efêmera e te dá um tapa na cara: ei, você não vive para sempre, inspire, expire, inspire…

Filhos sempre pensam que pais são seres imortais, que nunca devem adoecer feitos para cuidar de nós, ai vem a vida e diz: as pessoas envelhecem, até seus pais.

Essa é a hora das raízes fortes que eles plantaram em você te sustentarem a ser forte em qualquer situação. É quando os papeis se invertem.

Minha família é tudo para mim, a distância física não impediu meus pais de ensinarem o principal para mim e meu irmão, que é respeito e uma boa educação.

Eu queria muito ter tido sempre uma família com pais morando juntos, jantar todos os dias, conversas banais, mas a gente não pode controlar tudo em nossas vidas e ter o que quer sempre.

Independente de local, lugar, tempo, uma coisa sempre prevalece:  amor.

Valorize cada dia ao lado das pessoas que você ama, esse é o bem mais precioso que temos em nossas vidas.

 Quando se trata de família até o menor dos espinhos é motivo para preocupação, o tal do amor tende a aumentar o querer bem.

E eu sei que vai dar tudo certo na cirurgia de minha mainha, porque ela é a pessoa mais forte desse mundo como todo filho acha que a mãe deve ser e ela com aquele olhar que faz todos os males do mundo sumirem e sem uma palavra diz: vai ficar tudo bem.

…ao som de Oasis!

suspiros

…As histórias que irei contar aos meus netos!

Prólogo

              Em uma noite fria de inverno, ao som da doce chuva que cai vagarosamente no telhado, o aconchego das lãs dos cachecóis feitos pelas mãos enrugadas de quem viveu muitas histórias, aquece junto com o calor da suntuosa lareira decorada com muitos porta-retratos do tempo o coração dos pequeninos sentados no tapete que de tão macio chega a afundar as mãozinhas. Com os olhos brilhando como se fossem ganhar brinquedos de Natal, os ouvidos atentos, todos juntos como um coral: história, história, história, história.

            A senhora de cabelos brancos cujo tempo se encarregou de descolorir, com orgulho honra cada fio que ao perder a cor ganhava respeito por seus atos e mais um dia de vida muito bem vivido e aproveitado até o último tom. Com um belo sorriso, de maneira lenta para perdurar o momento abaixa o óculos e olha fixamente para guardar mais uma vez na lembrança cada um dos pequenos ao seu redor que a tornariam imortal. Procura uma posição confortável na cadeira de balanço já desgastada feita de madeira de lei artesanalmente entalhada com detalhes de árvore antiga, em suas mãos segura um livro de páginas amarelas, cheias de marcas, algumas de: café, suco, dendê, lágrimas, batom, vodka, perfume… Em cada uma delas guardava com apreço o maior tesouro da sua vida: pessoas e lugares que juntas nas estradas do tempo fizeram suas histórias.

Já me disseram que eu sou uma boa contadora de histórias, melhor que ser contadora é ser fazedora de histórias, isso sim eu sei que realmente sou, eu amo viver, não ter medo de arriscar, de abrir os braços e agarrar cada segundo da vida como se fosse único, fazer de simples cervejas grandes momentos  e guardar bem guardadinho nas lembranças cada pessoa e lugar esses sim são os verdadeiros tesouros valiosos da vida.

Acho que aprendi esse negócio de contar história com meu pai, desde pequena as ouvia, ele sempre tem uma boa para contar e eu com as mãozinhas dobradas segurando o queixo ouço atentamente e sinto cada emoção vivida.

Ainda tenho muito o que viver, muito o que aprender, que errar, que ensinar, a estrada da minha vida ainda tá no inicio, só plantei uma árvore, o livro, pois é esse ano pretendo voltar a me dedicar a um dos 3 livros que estou escrevendo cuja parte do prólogo é esse que vos mostrei a cima. No livro irei contar algumas das histórias que já vivi e as que não vivi, mas espero viver um dia.

Netos, num futuro bem distante…quero muitos. Espero que daqui para lá já tenha de verdade vivido intensamente todas as aventuras e peripécias que estou a escrever no livro .

A história da foto? Só digo que tem casamento, lugar sem energia, forró com banda de um teclado, poeira, água de pote de barro, convite para tomar um refrigerante, lições de vida…

…ao som de Beatles!

suspiros

…the Oscar goes to: 2011!

Antes de falar sobre meus planos de 2012 preciso agradecer ao melhor ano da minha vida até hoje: 2011!

E o tal de 2011 começou com belos sonhos, literalmente, se eu fosse indicar uma superstição para ter um ano maravilhoso seria: comece o ano dormindo.

Passei o dia ajudando minha mamis, de noite estávamos cansadas, nossa ceia foi uma bela pizza, com belos sonhos e pensamentos positivos fomos entrar nosso ano que passou de bons sonhos a realidade.

Janeiro passei no mestrado, fevereiro estágio em Campina Grande, dia 19 o dia mais feliz da minha vida: festa de formatura.

Março, carnaval mara em Olinda, dia 14 colação de grau antecipada, 17 com uma mala de roupas, coragem para recomeçar de novo, e feliz por estar de volta à minha terra amada.

Primeiro dia de aula, uma orientadora maravilhosa, uma bolsa do CNPQ, com um jornal embaixo do braço consegui encontrar meu lindo apê em frente a UFBA todo mobiliado e com ele conhecer uma das pessoas mais importantes de 2011, meu anjo em Salvador, minha amiga que virou uma irmã.

Em abril o show mais perfeito da minha vida até hoje, U2, de brinde pegar na abertura um breve show da minha banda predileta: Muse, acampar na fila do Morumbi com amigos, conseguir ficar na grade, chorar de emoção.

Passar Semana Santa em Bonfim depois de 5 anos que não ia, em maio conhecer uma das pessoas mais incríveis e fantástica da minha vida que passou de mestre Jedi a um super amigo que me fez conhecer o incrível e apaixonante mundo do empreendedorismo e das startups, com o curso surgir uma ideia que espero  e quero ainda  num futuro ver realidade a WESolve!.

Junho, São João perfeito em Bonfim com muita espada, licor, amendoim, cerveja, amigas, Forró do Sfrega. Julho, meu surpreendente e maravilhoso aniversário com direito a meu primeiro pitch, conversas interessantes, cerveja gelada, chuva, e para fechar um super show cover de U2 no bar dos meus sonhos.

Agosto, matar a saudade dos amigos de universidade, primeiro badalar com minha companheira de curso em Recife, depois formatura de Elétrica em Campina Grande que incansavelmente repetia: hoje eu sou a pessoa mais feliz do mundo, e era mesmo, rever amigos, poder participar de um dia tão especial. De CG para a sereia linda, Maceió, rever minhas florzinhas, emendar de uma formatura à minha nova tattoo. De Maceió para Juazeiro assinar meu contrato como Engenheira Eletricista responsável técnica da Montrel Montagens Elétricas.

Setembro, primeiro TEDx do Nordeste na Faculdade de Medicina no Pelô, o incrível, maravilhoso, sensacional, emocionante TEDxPelourinho que me deu além de um dia inesquecível, grandes amigos. Dia 21 junto com meu painho ver pela primeira vez vibrando com a torcida mais linda do mundo, meu Bahêa na série A ganhar no Pituaço.

Outubro, realização de um sonho, ROCK IN RIO, 3 dias de shows de tirar o fôlego, emocionantes, boas risadas e o melhor, de novos amigos. No finzinho do mês depois de 5 anos longe, níver da minha mainha com direito a chegar de surpresa. De Bonfim para reunião com o chefe em Juazeiro, depois a saga para tirar meu visto do CREA-SP em Araraquara, visitar as obras gigantes de fazer meus olhos brilharem das duas subestações de lá.

Novembro, TEDxFIAP no auditório da Microsoft em São Paulo, palestras incríveis, grandes lições de vida, conheci empreendedores sensacionais, saindo do TED direto para Campinas, visita ao meu mestre Jedi, sambinha mara com Heineken de 600, vinho, um tapete com estrelas, conversas maravilhosas, puxão de orelha, conhecer novas pessoas sensacionais, melhor sanduiche do mundo. Realizei mais um sonho: conhecer a Unicamp, melhor, viver a Unicamp por um dia. Conheci o orientador do doutorado da minha orientadora, almocei com pessoal do COSE e no fim uma oportunidade de parceria para meu mestrado. Meu blog passou das 90 mil visitas.

Dezembro, proposta de dissertação defendida e aceita,  meu mestrado em conjunto com a Unicamp,  virei sócia da nova empresa do meu chefe, churrasco com amigas de infância, primeiros presentes de Natal de verdade e com meu salário, e para fechar com chave de ouro, Maceió, prévia do réveillon com Monobloco, e por fim Banda Eva, muita Absolut, minha florzinha, velhos amigos de infância, novos amigos, bandeira do Bahêa e um Enchanté, 2012!

De tudo que me aconteceu em 2011 o melhor foram as pessoas que conheci, os amigos que fiz, as lembranças incríveis, minha Bahia amada, as boas histórias e bota história nisso que contarei aos meus netos, novos conhecimentos, aprendizados, erros que viraram lições.

Eu devo ter sonhado pulando as sete ondinhas, mas eu não acredito em superstição,  devo mesmo é ter corrido bem rápido na areia sentindo o mar molhar meus pés, eu acredito é no pique para correr atrás dos objetivos, num bom planejamento,  na determinação, na força de vontade e só tenho uma coisa a dizer para 2011: Obrigada!

…ao som de U2!

devaneios

…um ponto, infinitas retas!

“Por um ponto passam infinitas retas.”

“Para se fazer uma linha são necessários dois pontos.”

Essas duas frases para mim são mais filosóficas e subjetivas do que definições geométricas.

Pausa para aquele café quentinho e insight filosófico.

Estava eu a ensaiar nesse exato momento, a apresentação da defesa da minha proposta de dissertação do mestrado: Otimização do problema de planejamento energético de sistemas hidrotérmicos de geração de energia elétrica.

Entre matriz energética brasileira, geração de energia, problema de planejamento, eis que me vêm um tipico insight filosófico: o ponto em que mudamos a nossa visão de algo quando passamos a ter mais conhecimento sobre este.

Olhamos a primeira vez  um livro, aquela primeira paquerada, é algo superficial, podemos achar bonita a capa, a sinopse interessante, tá vou levar.

Primeira página, segunda, terceira…última página. E mais um ponto surge e nele passam infinitas retas.

Olhamos novamente para o livro, agora a relação é algo profundo passou do que era só uma capa e sinopse para: nomes, lugares, risos, lágrimas, coração acelerado, ansiedade, ai queimei minha língua no café, emoções…

O doce prazer de saborear um prato chamado conhecimento.

Um dos prazeres que mais aprecio na vida: conhecer, fazer pontos e  a partir deles linhas, muitas linhas.

O insight surgiu a partir dessa imagem, alguns vão olhar e ver apenas: retas, triângulos, bolinhas, outros vão ver: bacias, cascatas, montantes, jusantes, usinas. Sabe o que eu vi? Eu vi o Leonardo, a Mônica, o Makoto, o Secundino e todo pessoal do COSE da Unicamp.

Todos eles tinham esse diagrama esquemático nas mesas de trabalho.

Melhor que pontos feitos por livros, informações, são aqueles feitos por desconhecidos que viram nomes,  e nomes que viram rostos.

Antes da minha visita ao COSE tinha lido as teses do Leonardo, da Mônica, diversos artigos do Secundino, hoje quando olho para as publicações eu vejo rostos ao invés de nomes.

Percepção é uma das coisas mais fantásticas e que me deixa mais intrigada.

Podemos conviver em um mesmo espaço e tempo com diversas pessoas e nem notá-las, mas um simples ponto pode fazer o que era desconhecido virar um nome, um rosto.

Fotos de festa, eventos, ao fundo diversos desconhecidos e você nem nota quem são. Em um dado espaço tempo depois um destes cruza o seu caminho: é a última Heineken, me deixa levar. Um ponto é feito. Você olha novamente a mesma foto e por uma mágica chamada percepção,  mais alguém surge na foto  e  quem era só um desconhecido  passa a ter um nome.

Quanto mais conhecemos algo, alguém mais diferenciada e profunda é nossa visão, analogamente, seria como passar uma quantidade maior de retas a partir daquele ponto criado.

Viva a criação de pontos: oi, sorrisos, olhares, conversas, Heinekens, leituras, festas, músicas, cheiros, lugares, telefonemas, lágrimas, tudo bem, desculpa, prazer…meu nome é Camila Maciel e eu adoro fazer pontos.

Café acabou, voltar a passar mais retas no meu ponto chamado mestrado.

…ao som de Sigur Rós!