devaneios · poemas e poesias

…O real é uma questão de percepção!

As conversas de boteco são as que levam aos questionamentos mais intrigantes…em uma dessas, álcool entra conversa sai…surge a questão do existencialismo. Eis que me indagam : quando será o ponto que uma pessoa passa a ser alguém, sei lá o possível melhor amigo, ou o ponto que passa a ser ninguém?

Ao chegar em casa liguei para uma pessoa que sabe muito de tal assunto, quem melhor do que alguém  formada em filosofia cujo tema da tese de mestrado é:

O que se esconde por trás de olhos desconhecidos. É sobre o paradoxo de você esta constantemente rodeado por pessoas onde cada uma tem seu mundo, sua história e quando essas pessoas passam de meros mundos particulares a mais um  que você passa a conhecer e fazer parte do seu, é basicamente sobre o paradoxo das relações entre pessoas.

Muitas vezes você pode passar anos e anos no mesmo espaço-tempo que uma pessoa, mas nem saber da existência dela.

Então o que realmente faz algo existir?

Segundo Kant,o tempo e espaço são formas fundamentais de percepção que existem como ferramentas da mente, mas que só podem ser na experiência.

Não é o objeto que determina o sujeito, mas o sujeito que determina o objeto. As categorias são conceitos, todavia, puros, a priori, anteriores à experiência e que, por isso, a tornam possível. O objeto só se torna cognoscível na medida em que o sujeito que determina o objeto. Em suma, o objeto só se torna cognoscível na medida em que o sujeito cognoscente o reveste das condições de cognoscibilidade.

A consciência implica uma temporalidade irredutível ao tempo físico, estritamente métrico ou cronológico.

Já Sarte leva a questão para o Em-si e o Para-si: É o Para-si que faz as relações temporais e funcionais entre os seres Em-si, e ao fazer isso, constrói um sentido para o mundo em que vive.

Podemos entender um Em-si como qualquer objeto existente no mundo e que possui uma essência definida. Uma caneta, por exemplo, é um objeto criado para suprir uma necessidade: a escrita. Para criá-lo, parte-se de uma idéia que é concretizada, e o objeto construído enquadra-se nessa essência prévia.

Um ser Em-si não tem potencialidades nem consciência de si ou do mundo. Ele apenas é. Os objetos do mundo apresentam-se à consciência humana através das suas manifestações físicas

A consciência humana é um tipo diferente de ser, por possuir conhecimento a seu próprio respeito e a respeito do mundo. É uma forma diferente de ser, chamada Para-si.

É o Para-si que faz as relações temporais e funcionais entre os seres Em-si, e ao fazer isso, constrói um sentido para o mundo em que vive.

O Para-si não tem uma essência definida. Ele não é resultado de uma idéia pré-existente. Como o existencialismo sartriano é ateu, ele não admite a existência de um criador que tenha predeterminado a essência e os fins de cada pessoa. É preciso que o Para-si exista, e durante essa existência ele define, a cada momento o que é sua essência. Cada pessoa só tem como essência imutável, aquilo que já viveu. Posso saber que o que fui se definiu por algumas características ou qualidades, bem como pelos atos que já realizei, mas tenho a liberdade de mudar minha vida deste momento em diante. Nada me compete a manter esta essência, que só é conhecida em retrospecto.

As outras pessoas são fontes permanentes de contingências. Todas as escolhas de uma pessoa levam à transformação do mundo para que ele se adapte ao seu projeto. Mas cada pessoa tem um projeto diferente, e isso faz com que as pessoas entrem em conflito sempre que os projetos se sobrepõem. Mas Sartre não defende, como muitos pensam, o solipsismo , o homem por si só não pode se conhecer em sua totalidade. Só através dos olhos de outras pessoas é que alguém consegue se ver como parte do mundo. Sem a convivência, uma pessoa não pode se perceber por inteiro. “O ser Para-si só é Para-si através do outro”, idéia que Sartre herdou de Hegel. Cada pessoa, embora não tenha acesso às consciências das outras pessoas, pode reconhecer neles o que têm de igual. E cada um precisa desse reconhecimento. Por mim mesmo não tenho acesso à minha essência, sou um eterno “tornar-me”, um “vir-a-ser” que nunca se completa. Só através dos olhos dos outros posso ter acesso à minha própria essência, ainda que temporária. Só a convivência é capaz de me dar a certeza de que estou fazendo as escolhas que desejo. Daí vem a idéia de que “o inferno são os outros”, ou seja, embora sejam eles que impossibilitem a concretização de meus projetos, colocando-se sempre no meu caminho, não posso evitar sua convivência. Sem eles o próprio projeto fundamental não faria sentido.

Somos o que queremos ser, o que escolhemos ser, e sempre poderemos mudar o que somos. O quem irá definir.

Então para eu saber quem sou por completo precisaria conhecer um número infinitamente grande de pessoas e através das experiências que eu tive com as mesmas posso definir o que sou e o que não sou.Hummm…

Eu consigo ficar um dia inteiro  somente lendo não só sobre elétrica, mas sobre filosofia, literatura, algum livro e o que eu tiver vontade…falar em vontade lembrei de Schopenhauer.

Para Schopenhauer, o mundo não é mais que Representação. Esta conta com dois pólos inseparáveis: por um lado, o objeto, constituído a partir de espaço e tempo; por outro, a consciência subjetiva acerca do mundo, sem a qual este não existiria. Contudo, Schopenhauer rompe com Kant, uma vez que este afirma a impossibilidade da consciência alcançar a Coisa-em-si, isto é, a realidade não fenomênica. Segundo Schopenhauer, ao tomar consciência de si, o homem se experiencia como um ser movido por aspirações e paixões. Estas constituem a unidade da Vontade, compreendida como o princípio norteador da vida humana. Voltando o olhar para a natureza, o filósofo percebe esta mesma Vontade presente em todos os seres, figurando como fundamento de todo e qualquer movimento. Para Schopenhauer, a Vontade corresponde à Coisa-em-si; ela é o substrato último de toda realidade.

 

A vontade, no entanto, não se manifesta como um princípio racional; ao contrário, ela é o impulso cego que leva todo ente, desde o inorgânico até o homem, a desejar sua preservação. A consciência humana seria uma mera superfície, tendendo a encobrir, ao conferir causalidade a seus atos e ao próprio mundo, a irracionalidade inerente à vontade. Sendo deste modo compreendida, ela constitui, igualmente, a causa de todo sofrimento, uma vez que lança os entes em uma cadeia perpétua de aspirações sem fim, o que provoca a dor de permanecer algo que jamais consegue completar-se. Segundo tal concepção pessimista, o prazer consiste apenas na supressão momentânea da dor; esta é a única e verdadeira realidade.

Contudo, há alguns caminhos que possibilitam ao homem escapar da vontade, e assim, da dor que ela acarreta. A primeira via é a da arte. Schopenhauer traça uma hierarquia presente nas manifestações artísticas, na qual cada modalidade artística, ao nos lançar em uma pura contemplação de Idéias, nos apresenta um grau de objetivação da vontade. Partindo da arquitetura como seu grau inferior, ao mostrar a resistência e as forças intrínsecas presentes na matéria, o último patamar desta contemplação reside na experiência musical; a música, por ser independente de toda imagem externa, é capaz de nos apresentar a pura Vontade em seus movimentos próprios; a música é, pois, a própria vontade encarnada. Tal contemplação, trazendo a vontade para diante de nós, consegue nos livrar, momentaneamente, de seus liames.

E  por falar em arte…lembrei de uma poesia de Ferreira Gullar  acho que interliga muito essas questões filosóficas anteriores:

TRADUZIR-SE

Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.

uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.

Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.

Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.

Traduzir-se uma parte
na outra parte
– que é uma questão
de vida ou morte –
será arte?

Ferreira Gullar

De volta às minhas vontades…as vezes dou uma de Caio Fernando Abreu.

“Fico vivendo uma vida toda pra dentrolendoescrevendoouvindo música o tempo todo.” Caio Fernando Abreu

Assim como eu posso passar um dia inteiro só lendo, escrevendo e ouvindo música, também posso passar um dia inteiro conversando com alguém, acho que minha vontade é de conhecer seja por livros, conhecer Sarte, Kant…quando leio algum livro sempre gosto de saber em que época da história o escritor estava pra conhecer o tempo do mesmo. Como também conhecer pessoas, descobrir mundos é fantástico, compartilhar coisas, histórias , fazer momentos…você pode estar sentado ao lado da sua possível alma gêmea que também ama Muuuuuseeee, jazz, rock, clássicos, adora Cheetos mergulhado em iogurte de banana( Camila, só você no mundo gosta disso, ai é demais…),comer pipoca com brigadeiro enquanto assiste Amelie Poulain pela milionésima vez, é viciado em seriados, adora café e chimarrão, é fã de Alan Moore,Tarantino, Scorsese,Woody Allen…ou seja você pode estar sentado ao lado da sua alma gêmea ou da sua possível melhor amiga, ou de uma vovó que tem muitas histórias e que se você tivesse trocado um oi algo poderia mudar a partir daquele simples oi.

Mas não só de bons fatos se faz a vida, temos que saber também o que  não somos, através de momentos e ações de uma pessoa, valores como respeito, confiança, sinceridade, e a partir do momento que alguém os trai essa pessoa passa a não existir mais dentro do seu  mundo, indiferença torna as pessoas imperceptíveis.

Complicado esse negócio de existência, real, imaginário… e olhe que de número complexo eu entendo.

Isso é mais uma questão metafísica…

__Eu sempre achei que você deveria ter feito filosofia, Mila.

__Pois é Agatha…quem sabe, quando eu for lhe visitar em Londres  vai que me apaixone por Oxford de tanto você me falar e acabe fazendo filosofia de vez…

__Mais café?

__Por favor…

 

Ps: pra quem não conhece ainda, Agatha Bianucci é a personagem principal do meu livro. Adoro conversar com Agatha e Aurélio =p tah pode me chamar de doida.

Ps2: Esse post foi tão  #mundodesofiafeellings  , adoro O mundo de Sofia =)

Ps3: saiu Mortal Kombat pra o console, eu quero jogaaaar =p (vaiiii nerd)

Ps4: Metallica vai tocar no Rock in Rio, ahhhhhhhh foda!Quem vai?? euuuuuu \o/

Ps5: ÔÔÔÔÔ O TRICOLOR VOLTOU!!BAHÊÊÊÊÊÊAAAAAA, MINHA PORRA!

 

…ao som de Metallica!

poemas e poesias

…estranha!

202

Álvaro de Campos

Não

Não, não é cansaço…
É uma quantidade de desilusão
Que se me entranha na espécie de pensar,
E um domingo às avessas
Do sentimento,
Um feriado passado no abismo…

Não, cansaço não é…
É eu estar existindo
E também o mundo,
Com tudo aquilo que contém,
Como tudo aquilo que nele se desdobra
E afinal é a mesma coisa variada em cópias iguais.

Não.  Cansaço por quê?
É uma sensação abstrata
Da vida concreta —
Qualquer coisa como um grito
Por dar,
Qualquer coisa como uma angústia
Por sofrer,
Ou por sofrer completamente,
Ou por sofrer como…
Sim, ou por sofrer como…
Isso mesmo, como…

Como quê?…
Se soubesse, não haveria em mim este falso cansaço.

(Ai, cegos que cantam na rua,
Que formidável realejo
Que é a guitarra de um, e a viola do outro, e a voz dela!)

Porque ouço, vejo.
Confesso: é cansaço!…

Acordei de madrugada , tive um sonho ruim…depois voltei a dormir acordei angustiada, sei lá com uma sensação estranha…estranha sensação…dia estranho…estranho dia.

…ao som de Epica!

poemas e poesias

…A.C.!

Álvaro de Campos é um dos heteronimos mais conhecidos de Fernando Pessoa.Era um engenheiro de educação inglesa e origem portuguesa, mas sempre com a sensação de ser um estrangeiro em qualquer parte do mundo.

Conheci Campos a pouco tempo e desde então tenho ei fascinado-me com seus poemas ,n sei se por ele ser engenheiro ou se por ele ter passado por uma fase niilista sendo esta a qual n sei ao certo estou passando atualmente ,sei q me identifico com inumeros poemas dele.

Álvaro de Campos

Clearly non-Campos!

Não sei qual é o sentimento, ainda inexpresso,
Que subitamente, como uma sufocação, me aflige
O coração que, de repente,
Entre o que vive, se esquece.
Não sei qual é o sentimento
Que me desvia do caminho,
Que me dá de repente
Um nojo daquilo que seguia,
Uma vontade de nunca chegar a casa,
Um desejo de indefinido.
Um desejo lúcido de indefinido.

Quatro vezes mudou a ‘stação falsa
No falso ano, no imutável curso
Do tempo conseqüente;
Ao verde segue o seco, e ao seco o verde,
E não sabe ninguém qual é o primeiro,
Nem o último, e acabam.

…ao som de Madeleine Peyourox!

poemas e poesias

…momento Clarice!

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…adoro minhas DR´s com minha marida,são conversas interessantes,maduras,reflexivas e que sempre acrescentam algo tanto a mim quanto a ela!!!Trechos:estamos muito bem como nunca estivemos aqui…começamos o ano muito bem e este tem tudo p/ser massa…relembramos o desastre do ano passado…algumas libertações…enfim acho q as 14 ondinhas que eu pulei(7 minhas e 7 p/ela)estão dando resultado…está tudo se encaminhando no seu tempo certo !!!

…hj acordei um tanto quanto Clarice(adoro ler Clarice),ela merece um lugar cativo aqui :

“Enquanto eu tiver perguntas e não houver respostas… continuarei a escrever.Já que se há de escrever, que pelo menos não se esmaguem com palavras as entrelinhas.”

“Sou como você me vê.Possoser leve como uma brisa ou forte como uma ventania,Depende de quando e como você me vê passar.Sou tão misteriosa que às vezes não me entendo.Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato…”

“Eu sou uma pergunta de certo. Uma pergunta que não deseja ser respondida. Que também não se contenta com as respostas porque acha tudo um tanto quanto relativo.Meus braços são por demais pequenos para o mundo que eu quero abraçar. E meu coração é por demais tortuoso para não causar espanto.Quero tudo!Agora!”

‘Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo.”

“O que verdadeiramente somos é aquilo que o impossível cria em nós.
“Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas o que é possível de fazer sentido”
“Minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem de grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite.”

‘”Minha alma tem o peso da luz. Tem o peso da música. Tem o peso da palavra nunca dita, prestes quem sabe a ser dita. Tem o peso de uma lembrança. Tem o peso de uma saudade. Tem o peso de um olhar. Pesa como pesa uma ausência. E a lágrima que não se chorou. Tem o imaterial peso da solidão no meio de outros.”

“Sonhe com aquilo que você quiser.Seja o que você quer ser,porque você possui apenas uma vida e nela só se tem uma chance de fazer aquilo que se quer.Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.Dificuldades para fazê-la forte.Tristeza para fazê-la humana.E esperança suficiente para fazê-la feliz.As pessoas mais felizes não têm as melhores coisas.Elas sabem fazer o melhor das oportunidades que aparecem em seus caminhos.A felicidade aparece para aqueles que choram.Para aqueles que se machucam.Para aqueles que buscam e tentam sempre.E para aqueles que reconhecem a importância das pessoas que passam por suas vidas.O futuro mais brilhante é baseado num passado intensamente vivido.Você só terá sucesso na vida quando perdoar os erros e as decepções do passado.A vida é curta, mas as emoções que podemos deixar duram uma eternidade.A vida não é de se brincar porque um belo dia se morre.”
“A salvação é pelo risco, sem o qual a vida não vale a pena.”
“pensar é um ato, sentir é um fato”
“Haveria um grande silêncio em mim, mesmo que eu falasse”
” O que nos salva da solidão é a solidão de cada um dos outros “

Teu segredo é tão parecido contigo que nada me revela além do que já sei. E sei tão pouco como se o teu enigma fosse eu. Assim como tu és o meu.”

 

“Mas nem sempre é necessário tornar-se forte. Temos que respeitar a nossa fraqueza. Então, são lágrimas suaves, de uma tristeza legítima à qual temos direito. Elas correm devagar e quando passam pelos lábios sente-se aquele gosto salgado, límpido, produto de nossa dor mais profunda.”

Dá-me a tua mão:Vou agora te contar como entrei no inexpressivoque sempre foi a minha busca cega e secreta.De como entrei naquilo que existe entre o número um e o número dois,de como vi a linha de mistério e fogo,e que é linha sub-reptícia. ”

“Entre duas notas de música existe uma nota,entre dois fatos existe um fato,entre dois grãos de areia por mais juntos que estejam existe um intervalo de espaço,existe um sentir que é entre o sentir- nos interstícios da matéria primordial está a linha de mistério e fogo
que é a respiração do mundo,e a respiração contínua do mundoé aquilo que ouvimos
e chamamos de silêncio.”

 

“Não se compreende música, ouve-se. Ouve-me então com teu corpo inteiro”

 

“Quando fazemos tudo para que nos amem… e não conseguimos,
resta-nos um ulimo recurso, não fazer mais nada.
Por isto digo, quando não obtivermos o amor, o afeto ou a ternura
que havíamos solicitado…melhor será desistirmos e procurar mais
adiante os sentimentos que nos negaram.
Não façamos esforços inúteis, pois o amor nasce espontaneamente,
mas nunca por força de imposição.
Ás vezes é inútil esforçar-se demais… nada se consegue; outras vezes
nada damos e o amor se rende a nossos pés.
Os sentimentos são sempre uma surpresa. Nunca foram uma caridade
mendigada, uma compaixão ou um favor concedido.
Quase sempre amamos a quem nos ama mal, e desprezamos a quem
melhor nos quer.
Assim, repito, quando tivermos feito tudo para conseguir um amor,
e falhado, resta-nos um só caminho…o de nada mais fazer.”

…esses são so alguns q acho minha cara mas tem mts mais q tb adoro! vale salientar o livro : “A Paixão Segundo G.H.”

(Clarice Lispector)

…ao som de Lostprophets-Goodbye tonight!

11:02am

 

poemas e poesias

…Nietzsche!

...e no intervalo!

Esse é um dentre vários textos de Nietzsche que adoro, é um trecho do livro “A Gaia Ciência”. Já li quase todos os livros dele, o acho muito foda, meu autor predileto.

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“O nosso amor pelo próximo não será o desejo imperioso de uma nova propriedade? E não sucede o mesmo com o nosso amor pela ciência, pelo saber, pela verdade? E igualmente com todos os desejos de novidade? Cansamo-nos pouco a pouco do antigo, do que possuímos com certeza, temos ainda necessidade de estender as mãos; mesmo a mais bela paisagem, quando vivemos diante dela mais de três meses, deixa de nos poder agradar, qualquer margem distante nos atrai mais: geralmente uma posse reduz-se com o uso.

O prazer que tiramos a nós próprios procura manter-se, transformando sempre qualquer coisa nova em nós mesmos, é precisamente a isso que se chama possuir. Cansar- se de uma posse é cansar-se de si próprio. Chama também de “amor” a este desejo de uma nova posse que despertou na sua alma e tem prazer nisso como diante de uma nova conquista iminente. Mas é o amor de sexual que se revela mais nitidamente como um desejo de posse: aquele que ama quer ser possuidor exclusivo da pessoa que deseja, quer ter poder absoluto tanto sobre a sua alma como sobre o seu corpo, quer ser amado unicamente, habitar e reinar na outra alma como o mais alto e o mais desejável.

Se considerarmos que isso não significa outra coisa senão excluir o mundo inteiro do gozo de um bem, de uma felicidade preciosas, se pensarmos que aquele que ama visa empobrecer e privar todos os competidores, e tornar-se o dragão do seu tesouro, sendo o mais implacável “conquistador”, o explorador mais egoísta; se imaginarmos, por fim, que todo o resto do mundo lhe parece indiferente, desbotado, sem valor, e que se encontra disposto a efetuar qualquer sacrifício, a perturbar qualquer ordem estabelecida, a relegar para segundo plano qualquer interesse: então, espantamo-nos que esta cupidez bárbara , esta furiosa injustiça do amor sexual tenha sido a tal ponto glorificada, divinizada, em todos os períodos da história, que se tenha extraído deste amor a idéia de amor concebida como contrária do egoísmo, quando representa talvez a sua expressão mais nítida.

Existe realmente, aqui e além na terra, uma espécie de prolongamento do amor, no qual o desejo que dois seres experimentam um pelo outro dá lugar a um novo desejo, uma nova cobiça, a uma sede superior comum, a de um ideal que os ultrapassa a ambos: mas quem é que conhece tal amor? Quem já o viveu?

O seu verdadeiro nome é amizade.” (Friedrich Nietzsche)

…ao som de, pensou que era Through Glass, mas agora estou ouvindo Radiohead!

http://www.youtube.com/watch?v=BmNgubUobiQ

01:01am

 

poemas e poesias

…lua!

Lua Adversa

 

lua-cheia.jpg

Cecília Meireles

Tenho fases, como a lua
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua…
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!

Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha

Fases que vão e que vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.

E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém

(tenho fases, como a lua…)
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua…
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu…

…adoro esse poema de cecília!

1:51pm