devaneios

…confissões de uma Tulipa(2)!

 

O campo que vivo é frio, principalmente a noite pois é com os gélidos ventos que assim consigo viver, uma demonstração a mais de calor me faz desfalecer, e por causa dele que hoje não vejo graça no frio dos campos e queria aprender a viver de novo onde sempre foi meu habitat natural o frio…foi em uma noite de inverno, chovia e ele chegou assim sem eu esperar.

Já fazia um tempo que eu havia  florado com meu sempre vento gélido que pensava eu na época, ainda era o mesmo vento de sempre, mas este vento estava mudando as suas direções. Como pode meu vento gélido de tantos anos e convívio mudar assim para uma direção tão diferente da minha? Sendo que a pouco tinhamos confessado um para o outro o quanto eramos ligados?! Minhas pétalas caíram!!Demorei a florecer novamente, as marcas deixadas pelo vento gélido me tornaram mais resistentes, até que…

Chovia, e eu estava emanada em pensamentos de uma vida em um novo campo,  quando de repente sem eu menos esperar  logo depois da chuva, comecei a sentir algo diferente e vindo de uma direção que não era de costume dos ventos, ele estava vindo do oeste,  mas que vento era esse? Se os ventos gélidos sempre vem do leste?

Esse não era um vento normal…ele tinha algo diferente,  era quente…o que é isso? Eu que estava acostumada com o frio e ainda tinha minha resistência a novos ventos fiquei aturdida com a chegada dessa sensação diferente, era como se dentro de mim eu já conhecesse aquele vento mesmo sendo feita para sobreviver em lugares frios, eu não sei dizer,  mas era como se eu já tivesse sentido aquele calor anteriormente apesar das improbabilidades de isso acontecer,  nós eramos muito parecidos…como pode?

Eu sempre pensei que a única coisa que mais parecia comigo era o vento gélido e ele me dava a segurança de tê-lo sempre como algo similar a mim!Mas eu estava errada!Isso gerou muita confusão em minhas pétalas, elas se abriram inteiramente para essa sensação que chegou de repente, elas tinham perdido o vento frio, e estavam conhecendo algo novo, mas  que na realidade elas sempre tiveram raizes quentes…e foi uma bela floração, minhas pétalas vinvenciaram com  fervor aquela noite de inverno!

Dessa vez  ela agiu diferente,  ficou mais resistente com a vivência e marcas do vento gélido, e esta sendo ela  mesma de fato, que gosta de se deixar levar sem planejar, viver a  imprevisibilidade, o gostoso do improvável, do deixar levar pelas noites guiadas pelo acaso do momento. Uma Tulipa adora interrogação, pontos não são seus forte, só se vierem como reticências, de deixar algo no ar, ser subjetiva com toda sua objetividade, flores nas nuvens e raízes bem fincadas no chão. Minha vida já tem planos objetivos demais, meus pensamentos estão focados em fortalecer  minhas raízes.

As pétalas só desabrocham em campos frios devido a sua resistência, mas será que o frio se habitua ao quente? E conseguirá fazer suas pétalas se abrirem e assim perceber a beleza que contém uma Tulipa? Talvez sim, talvez não, deixa o tempo dizer, viver o momento que é bom, sem se preocupar com o depois. A vida é simples, a gente que complica.

De coisa complicada já basta a adubação de minhas raízes, meu novo campo é maior, cheio de novas possibilidades, novos ares a cada instante, o cultivo é tarefa delicada e trabalhosa, afinal não é em todo campo que se encontra uma Tulipa.

Ps: nossa, o primeiro confissões de uma tulipa tem 3 anos. Esse tal de tempo, passa rápido demais. Reler coisas escritas a tanto tempo, e ver o quanto a gente muda, e o tanto de coisa que aconteceu de lá para cá, é estranho e bom. Faz a gente ver que a vida é imprevisível, você nunca sabe o dia de amanhã, nem quem você vai encontrar na próxima esquina ou na mesa de um bar, e é isso que faz a vida da gente ser interessante e boa de se viver. Viva a imprevisibilidade e as coisas improváveis.  Apertem o botão do gerador de  improbabilidade infinita.

PS2: sério que meu blog passou de 90mil visitas, é gente demais que já leu o que essa doida escreve. Muito Obrigada!

PS3: quinta vou para Porto Velho, mas eu volto, ansiosa para mais uma viagem e feliz demais com tudo que está acontecendo!

 …ao som de Radiohead!

 

devaneios

…Presente de aniversário: Ideias para escrever mais 2 livros!

Conversas de boteco no estilo cerveja entra palavras saem e lavar pratos são dois ambientes férteis para minha cabeça criar textos.

A ideia para o meu primeiro livro surgiu na pia da cozinha do meu apartamento em Campina Grande,  ainda estou escrevendo e esse  vai demorar de ficar pronto, minha síndrome de perfeccionismo só vai conclui-lo quando eu for conhecer Londres, local que a personagem principal mora. Para quem não conhece ainda, apresento: Agatha Bianucci.

Sábado foi meu aniversário, gente já tenho idade para usar Renew apesar da carinha de 15. De presente ganhei conversas altamente inteligentes que eu amei e o principal e melhor: ideias para escrever mais dois livros.

Depois conto a saga de um dos melhores aniversários que já tive, um pitch que por pouco não virou pití, uma tranca de banheiro, um jogo do Brasil amargador de cerveja, recorde em um único dia do número de vezes que  me chamaram de maluca(Estou pensando em procurar um psiquiatra já virou normal me chamarem de maluca. Prometo quando eu matar alguém procuro.)  ao ouvir algumas das minhas tantas histórias,  descobri que sou uma Jedi, o desvendador do algoritmo dos caça niqueis, #nerdpower,  conversas filosóficas perpendiculares, imendar para um festa com a cara altamente desgrenhada, chuva, Heineken, o bar dos meus sonhos, um monólogo (mil desculpas ao ouvido que aturou minhas histórias, no outro dia me toquei que eu praticamente falei e falei e falei, a cerveja as vezes se torna água de chocalho, fiquei pê da vida  pq sabia que ouviria histórias muito interessante, a pessoa tem uma boa bagagem, a cara de guri de ensino médio engana =p e eu tagarela fiz um monólogo e olha que não foi nem 1/5 das minhas histórias, ai que ódio nem contei uma das melhores, a do assalto a cavalo. Maciel, entre pessoas se faz diálogo.Você que aturou meu falatório mil desculpas, estou lhe devendo um diálogo que eu faço questão de pagar quando nos revermos, e se vc ver algum  indício que a cerveja já esta me transformando em um monólogo pode me dar uns coques e mandar eu calar boca)  cover de U2 exatamente no dia que completei 3 meses que fui, e para fechar no melhor estilo Maciel imprevisível: andar descalça na orla da Barra.

Com certeza entrará na lista de histórias que contarei aos meus netos.

Uma das histórias que contei depois de algumas cervejas, foi a de Nelson, porteiro :

Logo depois dos primeiros dias do curso de empreendedorismo  tecnológico como de costume fuçei na net para procurar livros, achei uma lista da Exame indicando alguns, prontamente fui no site da saraiva e comprei: A Cabeça de Steve Jobs, A arte do começo, Como nadar entre tubarões sem ser comido vivo e Blink: the power of thinking without thinking.

Dias depois fui ver o pedido e tinha que a remessa estava em rota para ser entregue, passeio dia em casa esperando chegar.

Quando deu 18:10, aperto o F5 e surge essa tela da imagem. Eu só não chamei seu Nelsonm, porteiro, de santo, mas o resto…

ONDE EU MORO NÃO TEM PORTEIRO!

Fui nos vizinhos saber se alguém conhecia algum Nelsonm, o único que existia aqui morreu a 10 anos.

Fiquei muito, muito, muito puta, se uma coisa que eu tenho ciumes são meus livros e minha coleção de filmes. Puta que pariu, carregaram meus livros, pra que porra alguém vai querer pegar livro dos outros, e um em inglês, era só pedir que eu emprestava. Liguei para saraiva, eles disseram que iam fazer um boletim de ocorrência e apurar o que tinha acontecido com meus livros.

Dias depois meus lindos livros chegaram, tinha sido um erro no código da internet.

Essa foi uma das histórias que surgiu entre uma cervejo e outra, eis que alguém da mesa diz: Nelsonm, porteiro, vira um grande empreendedor imobiliário depois de receber por acaso livros de uma menina desconhecida e  que mudaram sua visão de vida , procura-se quem é essa menina.

A partir desse momento surgiu mais um livro que vou escrever. Esse a história vai se passar aqui no Brasil, da pra terminar em um tempo previsto se minha agenda colaborar um pouco.

E se tem uma coisa que me deixa muito, muito, muito feliz é ideia para escrever, um dos meus melhores prazeres e paixões da minha vida  é escrever. Vocês não tem noção de como fiquei feliz com essa ideia.

Já comecei a escreve-lo, vos apresento o  inicio da incrível história de superação e sucesso de Nelsonm, porteiro:

Uma das paixões da vida de Ana Júlia desde pequena, ou melhor, desde menina, virou gente grande, mas continua pequena do tamanho de um tamburete, é o mundo das palavras, seus melhores amigos são os livros.

Guarda ainda vivamente na memória a imagem da primeira cartilha que a apresentou ao fantástico mundo do conhecimento. Cada página ensinava uma letra do alfabeto mediante uma linda figura de fazer brilhar os olhos de toda criança e um curto poema, aprendidas foneticamente como em ABC do Sertão, música do célebre Luiz Gonzaga: a, bê, cê, dê, é, fê, guê, agá, i, ji, lê, mê, nê, o, pê, quê, rê, cí, tê, u,vê, xis, zê.

Toda sexta a professora chamava na frente cada aspirante a gente grande para ler a lição para a turma. Era o dia mais esperado da semana por Ana Júlia.

Sua visão do que eram somente formas passou a ser coisas com significados, o a era a dona da palavra: amor, o que antes ela via o a e o como duas bolas, m como aquela coisa engraçada que o camelo tem nas costas que futuramente ela descobriu que o nome era corcovas, e o r era o troço esquisito que o capitão Gancho tem na mão. Descobriu que essa palavrinha apesar de pequena era incomensurável, pois ela significava o sentimento por seu painho e mainha:

Mainha o que eu sinto pela senhora se chama: amor.

A primeira frustração da sua vida foi ao conhecer a letra m dona da palavra melancia.

Vamos lá Ana Júlia, repita comigo: ME-LAN-CIA.

ME-LEN-CIA.

Não Ana Júlia, é LAN com A, não LEN. Vamos de novo: ME-LAN-CIA.

ME-LEN-CIA.

E o gosto do que era uma das suas frutas prediletas passou a ter outro sabor.

O que fazia seu coração bater mais forte e os olhinhos brilharem eram palavras grandes. A primeira delas foi quando aprendeu acentuação tônica e conheceu o significado de PRO-PA-RO-XÍ-TO-NA. Passou a semana repetindo para lá e para cá, sua mãe lhe mandava comprar o pão, lá ia Ana Júlia saltitante a sorrir e repetindo no caminho:

PRO-PA-RO-XÍ-TO-NA, PRO-PA-RO-XÍ-TO-NA, PRO-PA-RO-XÍ-TONA.

Ela queria que o mundo escutasse que tinha aprendido uma linda nova palavra e que estava muito feliz com isso.

A cada ano que passava surgiam novas e maiores palavras, na disciplina de ciências quando estudava o corpo humano a professora citou uma enorme: ES-TER-NO-CLI-DO-MAS-TÓI-DEO. Todo mundo da sala ficou mais interessado em contar as letras e fazer um trava língua do que prestar atenção enquanto a professora explicava que era o nome do músculo do pescoço.

Vocês vão gostar da linda  e incrível história de Nelsonm, porteiro, mais um dos verdadeiros heróis  brasileiros dignos de admiração, um empreendedor que com as ferramentas e conhecimentos certos se tornou grande exemplo de superação e sucesso.

Já tenho tudo na cabeça começo, meio e fim só falta achar tempo para escrever. Aguardem!

Ana Júlia vai ser a personagem dona dos livros.

Qualquer semelhança entre Ana Júlia e eu não é mera coincidência. Sim, a história da melencia  e da proparoxítona aconteceu comigo.

O nome dos personagens, tirando seu Nelsonm, será sugestão de amigos,  Ana Júlia foi sugestão de Cleia.

Os próximos personagens que irei nomear serão: a esposa e os 3 filhos de Nelsom.

Peraí, mas você disse  mais 2 livros, e o outro é sobre o que? Bem…esse vocês só saberão se eu chegar a publicar um dia.

…ao som de Muse!

devaneios

…The Big Idea!

João desde pequeno sempre foi bom em resolver cálculos, tem um aguçado raciocínio lógico, se graduou em Matemática, e hoje é professor daquela escolinha do bairro onde estudou a vida inteira.

Ele só não sabe da existência do vigésimo terceiro problema de Hilbert e que a solução para o mesmo esta em sua cabeça, esperando apenas que alguém os apresente. E num clique:

João, este é o vigésimo terceiro problema de Hilbert.

Num piscar de olhos aquele menino que sempre gostou de resolver cálculo pega o lápis meio gasto, uma folha de papel reciclado e diz:

Prazer, eis aqui a sua solução.

A solução para o vigésimo terceiro problema de Hilbert pode estar na cabeça de uma das quase 7 bilhões de pessoas no mundo, esperando apenas que algo ou alguém faça as honras de apresentá-los.

E numa bela manhã de sábado… meu lado utópico sussurra ao pé do meu ouvido:

Mundo, eu vos apresento a solução dos seus problemas.

As relações humanas na sociedade atual estão diretamente ligadas às redes sociais, não  só para arraigar as relações entre amigos como para conhecer novas pessoas com gostos similares, para os cinéfilos, filmow, para os amantes da leitura, skoob, para o dos fale pouco e rápido, twitter, para os maníacos por série, orangotag, para mostrar profissionais, linkedin, dentre tantas outras e claro, Orkut e Facebook.

O que todas essas redes têm em comum?

Novas amizades podem ser geradas através das mesmas e não ir além da tela de um computador.

E eu mais uma vez bato na tecla: webcam não reproduz abraço, relações reais entre pessoas só se fazem de fato no olho no olho.

Sempre gostei de conhecer as mais diversas áreas: filosofia, arte, música, tecnologia, web…e principalmente de cunho e conteúdo construtivo, coisas que irão acrescentar em algo, acho que deve ser por causa da minha alma de pesquisadora, conhecimento gera conhecimento.

Conhecimento é a base de tudo…

Eu sou adepta de carteirinha das redes sociais, se inventaram uma ontem é bem provável que já tenha feito o meu perfil.

No fundo meu lado utópico, humanitário, de querer acrescentar algo ao mundo, de perpetuar conhecimento e contribuir em prol do desenvolvimento, sabia que ainda faltava algo.

E se existisse uma rede social engajada em resolver os problemas do mundo, através da perpetuação e criação de conhecimento? Integrar de fato as pessoas, ir além da tela do computador.

Eu faria o meu perfil nela.

O mundo vai ao divã e conta quais são os seus problemas, e a solução pode ser você.

E assim surgiu a WESolve!

…ao som de Fryderyk Chopin!

devaneios · em cartaz

…Remetente: Salvador,Bahia/ Destinatário: Dublin,Irlanda!

CHAPTER ONE:  The Letter.

Na minha usual ronda pelo mundo das notícias, encontrei uma reportagem que falava de cartas escritas por Carlos Drummond de Andrade para diversas pessoas com temas dos mais variados.

E antes de dormir dentre os tantos devaneios, surge uma idéia e minha mente inicia um processo criativo…pensei nos filmes que já tinha assistido cuja trama era centrada em cartas, os meus dois prediletos são:  84 Charing Cross Road e Mary and Max.

O primeiro conta a história de uma amizade de 20 anos selada por cartas trocadas entre uma escritora americana que mora em Nova York e o gerente (Anthony Hopkins) de uma livraria especializada em livros raros em Londres, uma boa pedida para os amantes da leitura.

O segundo é baseado em fatos reais e fala sobre a amizade surgida pelo acaso quando uma menininha de 8 anos muito curiosa, australiana, abre uma lista telefônica e escolhe um endereço aleatório e decide escrever ao nova-iorquino Max de 44 anos, junto com a carta, alguns desenhos, uma barra de chocolate e a dúvida: “de onde vêm os bebês nos Estados Unidos”. Daí então começa as trocas filosóficas dos mais diversos temas: religião, confiança, vida em sociedade, sexo, amor e, principalmente, a importância e o significado de amizade. É um drama cômico que trata de questões simples e profundas, minha animação predileta.

Os dois filmes tem finais tristes, e como vocês já sabem o que acontece comigo…chorei.

Apesar de toda a minha modernidade no fundo eu tenho um lado lírico Shakeaspeareano que gosta de costumes antigos, como cartas.

Não deixo de bater na tecla que o .com veio para aproximar distâncias e afastar a relação das pessoas, e-mails são frios, impessoais. Desde pequena sempre gostei de escrever cartinhas, bilhetinhos, e coisas do gênero lápis-papel para minhas amigas do colégio, fazia coleção de papéis de carta.

Cartas são bem mais pessoais, da pra saber o cheiro da pessoa, sentir o beijo, tocar na lágrima que borrou a tinta, a letra trêmula daquele aperto no coração, acariciar o sedoso cabelo, o tempo para cruzar as distâncias pode até ser maior, mas durante a leitura da carta você consegue sentir quem escreveu e imaginar que a pessoa esta ao lado como se contasse ao pé do ouvido cada palavra.

Como eu sou perfeccionista e gosto das minhas coisas muito bem feitas, antes de fazer o post assisti pela milionésima vez Reservoir Dogs.

CHAPTER TWO : Reservoir Dogs.

Depois de tanto lirismo vamos ao que seria o tema principal desse post, em total discrepância de gênero com os filmes anteriores, a instigante, violenta, e junto com Pulp-Fiction um dos meus prediletos, a obra-prima de Quentin Tarantino: Reservoir Dogs.

Boca aberta, sensação de que recebeu um soco no estômago, olhos brilhando…5 segundos depois que os créditos começam a subir você puxa bem lá do fundo com toda vontade : Puta que pariu, que filme foda!!!

É meu caro, você acabou de assistir um filme de Quentin Tarantino.

Os filmes de Tarantino têm a peculiar e autentica maneira de tratar coisas reais com seu estilo próprio que se baseia nada mais do que na verdade nua e crua. É uma narrativa em flashbacks, com cenas entrecortadas de extrema violência e pitadas de humor que faz sua obra ser inconfundível.

Como as palavras do próprio em uma entrevista: “Gente é gente, meus personagens são humanos sem melodramas. Adoro brincar com o público e fazê-lo viajar, quero mexer com a cabeça das pessoas, quero dar experiência.”

Nada mais humano do que falar besteira, e Reservoir Dogs começa em uma conversa banal sobre metáforas na música Like a Virgin da Madonna entre o que aparenta serem amigos engravatados em uma lanchonete.

Com diálogos que chegam a ser engraçados de tanto sarcasmo, para Tarantino Reservoir Dogs e Pulp Fiction deveriam estar na sessão de comédias: É uma loucura, mas é engraçado.

Como Scorsese, ele sabe escolher os melhores ângulos que nos faz sentir como se estivéssemos dentro da cena.

Homens que em momento de pânico e medo se tornam garotos. O pedido desesperado com temor da eminente morte em meio a sangue, muito, muito, muito sangue do Mr. Orange (Tom Worth sem o charmoso sotaque britânico, acho lindo inglês  britânico) de um simples abraço.

Mr. White e Mr. Pink se estapeiam no chão, armas apontadas para a cabeça, você concentrado na cena segura na poltrona, a câmera lentamente se afasta e surge  com um ar e charme de Elvis Presley, Mr. Blonde tomando calmamente seu refrigerante…

CHAPTER THREE: Choice.

Hummm…cartas, não sou Carlos Drummond, mas também tenho sobrenome Andrade. Quem eu conheço que mora longe? Tem Nara em Recife, mas Nara já sabe da minha vida inteira…tem que ser alguém mais longe pra ser bem estilo dos filmes que eu pensei, tipo do outro lado do Oceano…

CHAPTER FOUR: Salvador, Bahia- Dublin, Irlanda.

Bom dia mochileiro das galáxias =)

Aqui já é boa tarde…

…Neil Gaiman, Watchmen, HQ, mangá, Laranja Mecânica, Super 8, criancinhas, O iluminado, eita baixar Game of Thrones…

Simmm tive uma idéia ontem, quero que você sugira o tema do meu próximo post de algo que você iria gostar de ler.

Escolho Reservoir Dogs (Booooa escolha 06 sabia que não me desapontaria, eu tenho o original em versão especial com extras contendo cenas cortadas, biografias, comentários, entrevistas).

Sem saber que minha idéia principal era escrever uma carta para alguém, ele me sugeriu o tema o qual se trata o capítulo dois, mas o resto do capítulo com minha minuciosa viagem por Reservoir Dogs, seus extras esta na carta com toda sutileza do meu toque pessoal e só quem vai saber é a pessoa que mora atualmente em Dublin, Irlanda.

PS1: prefiro colocar fotos tirados por mim nos posts…eu não sou mais broca e desastrada pq sou uma só, tirei uma linda fotinha com meu lindo dvd e sua super capa especial em cima da carta, coloquei o cartão SD da câmera do lado errado, agr nem lê, nem sai ¬¬ tô mto puta!!!

 PS2: 2 vezes em meu blog num se ache mto não viu mochileiro, rum =*

…ao som de Led Zeppelin!

devaneios

…Favorite Song!

Vamos lá, bracinhos pra cima, pra lá e pra cá, cantando bem alto comigo:

Welcome to the Hotel Califooooooooornia 
Such a lovely place 
Such a lovely face...

Essa não é a minha música favorita, é a do meu pai.

Em uma das cena de “Tudo acontece em Elizabethtown” no funeral do pai do lindo  Orlando Bloom, a viúva o homenageia ao dançar sua música predileta em forma de sapateado…e minhas lágrimas começam a cair, cair, cair…para de chorar menina. Eu sou uma manteiga derretida assumida, choro sim em filmes e ponto.

A sétima arte tem diversos poderes sobre mim, e um deles é de fazer eu me emocionar com  cenas análogas a coisas da minha vida que  fiz e que  não fiz, mas deveria ter feito.

Tal cena derramou minhas lágrimas pois comecei a pensar que eu não sabia qual era a música favorita do meu pai, mas você pode pensar que diferença faz uma música…faz muita, imagine sua vida em silêncio, sem trilha sonora.

E continuei a divagar em devaneios em pleno meio do filme…não só na música predileta, como na comida, no lugar, no perfume, na brincadeira quando era criança, no livro, no filme…e em todas peculiaridades que fazem cada pessoa ser unica. Pense nas pessoas ao seu redor, quais delas você realmente conhece?

Facebook.com e você me diz que tem 230, 350, 500 amigos que gostam de Beatles, Fight Club, Alan Moore, Battlestar Galactica. Hoje a grande maioria de pessoas do circulo social que você vive tem os  currículos de gostos e preferências estampados em um simples clique.

Pra mim isso não é conhecer alguém de verdade, saber suas alegrias, dores,  medos,  loucuras, suas histórias, seu presente, os planos futuros.

Você entra no perfil daquele gato lindo, 35 coisas em comum, uau minha alma gêmea…e na primeira conversa você descobre que gostos não fazem personalidade e ele é babaca, arrogante, playboizinho e tem mau hálito.Vai uma balinha?

É a busca pelo semelhante, o maior grau de compatibilidade…eu sou da filosofia que os iguais se complementam e os opostos se suportam até a paixão acabar, ou não.

As redes sociais expandiram as possibilidades de conhecer pessoas de diferentes cantos do mundo que tem o SUPER em comum. O sentido do que é realmente conhecer se tornou um verdadeiro paradoxo, mas pra mim conhecer de verdade só acontece olho no olho seja pessoa ou lugar. Como em Elizabethtown quando o Orlando Bloom e a Mary Jane  Kirsten Dunts depois de horas e horas no telefone lembram que estão a 45 min um do outro e pegam seus respectivos carros e se encontram no meio da estrada em um lindo lago.

Pra mim conhecer é tomar vinho com pizza frita e conversar besteira a luz do luar, é se perguntar: e agora que caminho a gente pega? É tirar umbu direto do pé, é tomar Pitú ouvindo Zé Ramalho e fazendo gráfico, é acampar na fila do Morumbi, é o tique no pescoço enquanto dirige, é fazer aniversário surpresa, é comer camarão na praia do Francês, é gritar Baêêêaaa minha porraaaa, é correr descalço no chão vermelho de terra, é o café-com-leite-açúcar-sal, é o cuzcuz com tripa frita, é viajar 36h dentro de um micro ônibus sem banheiro, é cantar junto, é aprender, ensinar, é dançar juntinho sentindo aquele cheirinho do cangote, é aquele abraço cheio de saudade, é um sorriso, um olhar, um carinho, é o braço que te levanta quando você se estabaca no chão…

Eu adoro conhecer novas pessoas, lugares, sou adepta de inúmeras redes sociais, futucar a webesfera é comigo mesmo, mas eu não acredito em miguxos, webcam não reproduz abraço, o carimbo de amigo só é dado no olho no olho.

Me deu uma vontade imensa como me da em todos os filmes que tem viagens no mesmo estilo de uma das parte de Elizabethtown, de pegar o mapa, botar aquela música beeeeeeem alta e sair por ai conhecendo de verdade pessoas, lugares. Acho que meu espírito aventureiro deve ser por causa das inúmeras viagens que fazia com meu pai pelos cantos mais remotos da Bahia quando eu era pequena. A grande maioria diz que quer ganhar dinheiro pra comprar casa, carro do ano, roupa de marca, relógio de ouro…eu não. É claro que eu quero ter meu canto conquistado com meu suor, mas não sou muito ligada em bens materiais, tirando livros e filmes,  eu quero de verdade é comprar histórias para contar aos meus netos, das minhas aventuras, dos lugares e principalmente das pessoas.

E o filme termina com…assistam.

Meu pai não tem facebook, então peguei o telefone e: Pai? Qual a música predileta do senhor?

Essa menina tem cada idéia…

Tenho certeza que ninguém sabe qual é a minha música predileta…afasta o sofá, coloca aquela polaina do tempo da vovó e dança comigo…

First when there’s nothing
but a slow glowing dream
that your fear seems to hide
deep inside your mind.
All alone I have cried
silent tears full of pride
in a world made of steel,
made of stone.

Well, I hear the music,
close my eyes, feel the rhythm,
wrap around, take a hold
of my heart.

What a feeling.
Bein’s believin’.
I can have it all, now I’m dancing for my life.

Take your passion
and make it happen.
Pictures come alive, you can dance right through your life.

Now I hear the music,
close my eyes, I am rhythm.
In a flash it takes hold
of my heart.

What a feeling.
Bein’s believin’.
I can have it all, now I’m dancing for my life.

Take your passion
and make it happen.
Pictures come alive, now I’m dancing through my life.

What a feeling.
What a feeling I AM MUSIC NOW
Bein’s believin’. I AM RHYTHM NOW
Pictures come alive, you can dance right through your life.
What a feeling. YOU CAN REALLY HAVE IT ALL
What a feeling. PICTURES COME ALIVE WHEN I CALL
I can have it all I CAN REALLY HAVE IT ALL
Have it all PICTURES COME ALIVE WHEN I CALL
CALL CALL CALL CALL WHAT A FEELING
I can have it all BEIN’S BELIEVIN
Bein’s believin’ TAKE YOUR PASSION
MAKE IT HAPPEN
make it happen WHAT A FEELING
what a feeling BEIN’S BELIEVIN’ 

Essa música é do filme Flashdance que eu amoooooo.  A banda da minha formatura tocou, eu nem acreditei, sai correndo pra frente do palco, supeeeeeeeeer me acabei. What a feeeeeeling…

Vantagem de morar sozinha: cantar bem alto e dançar que nem no filme com direito a rodopio, salto e tudo mais, bem estilo se alguém visse ia me chamar de doida.

…ao som de Irene Cara- What a Feeling!

último ano · devaneios · suspiros

…Update or die!

Apareceu a Margarida, ôle, ôle, olá!

Não fui abduzida, não fui presa, não casei, não engravidei, não virei hippie, não tive nenhuma doença grave, ainda tenho mãos, não vou jogar meu amado blog num poço de piche, tô viva e este texto não é psicografado do além,  mas poooorque você sumiu???

Nos últimos meses: uma mulher tomou posse da presidência do Brasil, Ronaldinho Gaúcho foi para o Flamengo, Liga da Justiça foi a música do carnaval, Jobs apresentou o Ipad2, terremoto de magnitude 8,9 atingiu o Japão,  aconteceu o massacre do Realengo, Osama morreu, o Bahia de Feira foi campeão baiano, o Santos segue na Libertadores,  hoje o Barcelona foi campeão da Liga dos Campeões…e amanhã tem FlamengoXBahia aqui em Salvador.

Isso, vocês já sabiam.  Assim espero, se não sabiam vocês não estavam nesse mundo nos últimos meses, mas sabem agora.

Carmen Sandiego, onde você se escondeu esse tempo?

Bem meus caros, assim como a turnê do U2 minha vida  também deu um verdadeiro 360 nos últimos meses, passei de sem teto, nômade , a uma pessoa com novo endereço fixo.

Como vocês bem sabem do meu post anterior dezembro terminei todas as minhas disciplinas, apresentei meu TCC, muito bem apresentado por sinal, fechei meu curso com chave de ouro…mas ainda faltava o estágio para eu colar grau e conseguir o tão sonhado diploma.

Eis que dia 04 de janeiro saiu o resultado do mestrado da UFBA:

Lista de aprovados: Camila Maciel Andrade, começo das aulas 14 de março de 2011.

E começa a minha saga para concluir meu estágio, e colar grau antecipado antes do começo do mestrado.

Por causa da burrocracia não pude fazer meu estágio em nenhum dos lugares que tinha conseguido aqui na Bahia, acabei indo fazer no Laboratório de Alta tensão da UFCG mesmo, e foi um dos melhores meses que passei lá.

Adorei meu estágio no LAT descobri realmente que era isso que queria, continuar pesquisando, fazer mestrado, doutorado, foi o mesmo sentimento que tive quando escolhi fazer elétrica, sabe quando bate aquele: é isso que eu quero.

Em 06 de fevereiro de 2006 uma menina muitos quilos mais magra pegava o ônibus em Senhor do Bonfim-BA para uma cidade que  não conhecia nada e ninguém, ia enfrentar 18h de viagem com um objetivo na cabeça e um sonho no coração: se tornar engenheira eletricista em uma das melhores universidades do Brasil. 5 anos e alguns dias depois…

19 de fevereiro de 2011 um dos dias mais felizes da minha vida, comemoração da realização de um objetivo, de tanto esforço, de abdicação, de conquista, de um sonho.

It´s a new dawn, It´s a new day, It´s a news lifeeee for me and I´m feeling good.

E com vocês a Engenheira Eletricista Camila Maciel Andrade…

E  ao som de Feeling good, Elevation e Marinheiro só, segurando com orgulho minha bandeira do Baêêêêêaaaaa eu desci para o abraço emocionado do meu pai e da minha mãe.

Depois de Jack Daniels, Labels, Tequila, Absoluts, Vinhos, Heinekens…sim, sim, minha intenção era deixar todos os meus convidados muito bem servidos claro, pensaram que era bêbados neh.  =p

Da festa imendamos para o centro Campinense de entretenimento, República Verde Cana, pra terminar de beber as 50 Heinekens…eu fico triste, alegre, sem beber eu fico triste, bebendo eu fico alegre….dormi 11 da manhã por lá mesmo.

Dias passaram…terminei meu estágio, e minha defesa  é marcada para 9am na sexta véspera de começar o carnaval. Como boa baiana marquei minha festa de despedida na quinta para já entrar no clima. Mas sua defesa não era na sexta  de manhã? Isso mesmo.

Com direito a pulseirinha de fitinha da lembrança de Senhor do Bonfim, um bom cardápio baiano muito bem feito por minha prima, whisky, tequila, cevas, e amigos me despedi de vez de Campina.

E a defesa? Tirei direto…pra minha sorte só estava meu orientador e o professor da banca, na festa todos disseram que iam assistir…acho que a festa foi boa, ninguém apareceu.  \o/

Apresentação elogiada, estágio muito bem defendido, obrigada. E vamo correr pra arrumar a mala pra ir pra Olinda. Sim, meus caros perdi o carna de ssa, minha colação de grau só ia ser depois do carnaval, como Olinda era o mais próximo…vamos lá.

Não da pra contar todas as histórias do carnaval, só digo que foi muitooooo bom. Olinda quero cantar a ti…

Colação de grau dia 14 de março, do juramento direto para o ônibus rumo a minha nova vida.

16 de março, Salvador,Bahia, novos rumos se abriam…a  alma caridosa de meu primo me acolheu até arranjar meu apartamento.

Primeiro dia de aula chego com um jornal de baixo do braço, a coordenadora da pós: você tá procurando apartamento? Sim, sim.

Tem uma menina que terminou o mestrado a pouco tempo e morava aqui em frente a Politécnica deixa eu ligar para ela pra saber se o apartamento ainda está vago.

E os Orixás baianos me trazem sorte, ainda estava vago e ela ainda tinha todos os móveis, além de ter conseguido um apartamento em frente a UFBA, com dois quartos, consegui com todos os móveis.

Fui super bem recebida na UFBA, minha orientadora é um amor, gostei do tema da minha pesquisa apesar de nunca ter trabalhado com isso, mas por ser tão interessante me fez gostar muito, já tinha uma bolsa do CnPq separada pra mim.

A pesquisa é desenvolver um software pra otimizar o problema de planejamento energético dos sistemas hidrotérmicos de geração de energia elétrica do Brasil.

08 de abril, monto minha barraca com mais 4 amigos na fila do Morumbi em São Paulo.

09 de abril de 2011, 15h30m os portões de abrem. A gente ta na frente do palco porra, conseguimooooos! 20h MUSEEEEEEEEE \o/ 21h37m começa até hoje o melhor show da minha vida, fiquei na grade, se Bono peidasse eu sabia o que ele tinha comido. Pensei que nunca choraria em um show até ir para U2.

Semana Santa em Bonfim reunião na sala da minha casa, fui convidada para ser responsável técnica de uma empresa em Senhor do Bonfim, substituir um engenheiro aposentado da CHESF que por coincidência se formou na UFCG em 64.

Fui selecionada para fazer um curso de empreendedorismo tecnológico, que por sinal estou adorando…principalmente o palestrante, ahhh se me desse bola…

25 de maio, dia da toalha, como boa nerd fui pra UFBA com minha camisa do Dr. Manhattan, All Star e minha toalha, claro.

Meu CREA saiu essa semana, agora vou correr atrás das papeladas da minha empresa, ah sim, eu vou ser sócia de uma empresa,vou virar empresária, e resolver as coisas da outra empresa de Bonfim.

Bem amiguinhos, acho que é isso. Em breve nos encontraremos novamente, prometo, nesse mesmo batsite.

PS: ÔÔÔÔ EU VOU PRA O ROCK IN RIOOOOOOOOO \o/

PS2: ahhh como é bom morar em um lugar com praia, cinema, livraria, barzinhos super legais…minha Bahia é linda.

PS3: para os amigos, carnaval 2011 quero todo mudo aqui em casa, moro pertinho dos circuitos do carna.

PS4: 29 de maio, 01h05m vou entrar no mundo da Apple, ler um dos meus 4 livros que chegou hoje: A Cabeça de Steve Jobs. Bom dia!

…ao som de Beatles!

devaneios · poemas e poesias

…O real é uma questão de percepção!

As conversas de boteco são as que levam aos questionamentos mais intrigantes…em uma dessas, álcool entra conversa sai…surge a questão do existencialismo. Eis que me indagam : quando será o ponto que uma pessoa passa a ser alguém, sei lá o possível melhor amigo, ou o ponto que passa a ser ninguém?

Ao chegar em casa liguei para uma pessoa que sabe muito de tal assunto, quem melhor do que alguém  formada em filosofia cujo tema da tese de mestrado é:

O que se esconde por trás de olhos desconhecidos. É sobre o paradoxo de você esta constantemente rodeado por pessoas onde cada uma tem seu mundo, sua história e quando essas pessoas passam de meros mundos particulares a mais um  que você passa a conhecer e fazer parte do seu, é basicamente sobre o paradoxo das relações entre pessoas.

Muitas vezes você pode passar anos e anos no mesmo espaço-tempo que uma pessoa, mas nem saber da existência dela.

Então o que realmente faz algo existir?

Segundo Kant,o tempo e espaço são formas fundamentais de percepção que existem como ferramentas da mente, mas que só podem ser na experiência.

Não é o objeto que determina o sujeito, mas o sujeito que determina o objeto. As categorias são conceitos, todavia, puros, a priori, anteriores à experiência e que, por isso, a tornam possível. O objeto só se torna cognoscível na medida em que o sujeito que determina o objeto. Em suma, o objeto só se torna cognoscível na medida em que o sujeito cognoscente o reveste das condições de cognoscibilidade.

A consciência implica uma temporalidade irredutível ao tempo físico, estritamente métrico ou cronológico.

Já Sarte leva a questão para o Em-si e o Para-si: É o Para-si que faz as relações temporais e funcionais entre os seres Em-si, e ao fazer isso, constrói um sentido para o mundo em que vive.

Podemos entender um Em-si como qualquer objeto existente no mundo e que possui uma essência definida. Uma caneta, por exemplo, é um objeto criado para suprir uma necessidade: a escrita. Para criá-lo, parte-se de uma idéia que é concretizada, e o objeto construído enquadra-se nessa essência prévia.

Um ser Em-si não tem potencialidades nem consciência de si ou do mundo. Ele apenas é. Os objetos do mundo apresentam-se à consciência humana através das suas manifestações físicas

A consciência humana é um tipo diferente de ser, por possuir conhecimento a seu próprio respeito e a respeito do mundo. É uma forma diferente de ser, chamada Para-si.

É o Para-si que faz as relações temporais e funcionais entre os seres Em-si, e ao fazer isso, constrói um sentido para o mundo em que vive.

O Para-si não tem uma essência definida. Ele não é resultado de uma idéia pré-existente. Como o existencialismo sartriano é ateu, ele não admite a existência de um criador que tenha predeterminado a essência e os fins de cada pessoa. É preciso que o Para-si exista, e durante essa existência ele define, a cada momento o que é sua essência. Cada pessoa só tem como essência imutável, aquilo que já viveu. Posso saber que o que fui se definiu por algumas características ou qualidades, bem como pelos atos que já realizei, mas tenho a liberdade de mudar minha vida deste momento em diante. Nada me compete a manter esta essência, que só é conhecida em retrospecto.

As outras pessoas são fontes permanentes de contingências. Todas as escolhas de uma pessoa levam à transformação do mundo para que ele se adapte ao seu projeto. Mas cada pessoa tem um projeto diferente, e isso faz com que as pessoas entrem em conflito sempre que os projetos se sobrepõem. Mas Sartre não defende, como muitos pensam, o solipsismo , o homem por si só não pode se conhecer em sua totalidade. Só através dos olhos de outras pessoas é que alguém consegue se ver como parte do mundo. Sem a convivência, uma pessoa não pode se perceber por inteiro. “O ser Para-si só é Para-si através do outro”, idéia que Sartre herdou de Hegel. Cada pessoa, embora não tenha acesso às consciências das outras pessoas, pode reconhecer neles o que têm de igual. E cada um precisa desse reconhecimento. Por mim mesmo não tenho acesso à minha essência, sou um eterno “tornar-me”, um “vir-a-ser” que nunca se completa. Só através dos olhos dos outros posso ter acesso à minha própria essência, ainda que temporária. Só a convivência é capaz de me dar a certeza de que estou fazendo as escolhas que desejo. Daí vem a idéia de que “o inferno são os outros”, ou seja, embora sejam eles que impossibilitem a concretização de meus projetos, colocando-se sempre no meu caminho, não posso evitar sua convivência. Sem eles o próprio projeto fundamental não faria sentido.

Somos o que queremos ser, o que escolhemos ser, e sempre poderemos mudar o que somos. O quem irá definir.

Então para eu saber quem sou por completo precisaria conhecer um número infinitamente grande de pessoas e através das experiências que eu tive com as mesmas posso definir o que sou e o que não sou.Hummm…

Eu consigo ficar um dia inteiro  somente lendo não só sobre elétrica, mas sobre filosofia, literatura, algum livro e o que eu tiver vontade…falar em vontade lembrei de Schopenhauer.

Para Schopenhauer, o mundo não é mais que Representação. Esta conta com dois pólos inseparáveis: por um lado, o objeto, constituído a partir de espaço e tempo; por outro, a consciência subjetiva acerca do mundo, sem a qual este não existiria. Contudo, Schopenhauer rompe com Kant, uma vez que este afirma a impossibilidade da consciência alcançar a Coisa-em-si, isto é, a realidade não fenomênica. Segundo Schopenhauer, ao tomar consciência de si, o homem se experiencia como um ser movido por aspirações e paixões. Estas constituem a unidade da Vontade, compreendida como o princípio norteador da vida humana. Voltando o olhar para a natureza, o filósofo percebe esta mesma Vontade presente em todos os seres, figurando como fundamento de todo e qualquer movimento. Para Schopenhauer, a Vontade corresponde à Coisa-em-si; ela é o substrato último de toda realidade.

 

A vontade, no entanto, não se manifesta como um princípio racional; ao contrário, ela é o impulso cego que leva todo ente, desde o inorgânico até o homem, a desejar sua preservação. A consciência humana seria uma mera superfície, tendendo a encobrir, ao conferir causalidade a seus atos e ao próprio mundo, a irracionalidade inerente à vontade. Sendo deste modo compreendida, ela constitui, igualmente, a causa de todo sofrimento, uma vez que lança os entes em uma cadeia perpétua de aspirações sem fim, o que provoca a dor de permanecer algo que jamais consegue completar-se. Segundo tal concepção pessimista, o prazer consiste apenas na supressão momentânea da dor; esta é a única e verdadeira realidade.

Contudo, há alguns caminhos que possibilitam ao homem escapar da vontade, e assim, da dor que ela acarreta. A primeira via é a da arte. Schopenhauer traça uma hierarquia presente nas manifestações artísticas, na qual cada modalidade artística, ao nos lançar em uma pura contemplação de Idéias, nos apresenta um grau de objetivação da vontade. Partindo da arquitetura como seu grau inferior, ao mostrar a resistência e as forças intrínsecas presentes na matéria, o último patamar desta contemplação reside na experiência musical; a música, por ser independente de toda imagem externa, é capaz de nos apresentar a pura Vontade em seus movimentos próprios; a música é, pois, a própria vontade encarnada. Tal contemplação, trazendo a vontade para diante de nós, consegue nos livrar, momentaneamente, de seus liames.

E  por falar em arte…lembrei de uma poesia de Ferreira Gullar  acho que interliga muito essas questões filosóficas anteriores:

TRADUZIR-SE

Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.

uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.

Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.

Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.

Traduzir-se uma parte
na outra parte
– que é uma questão
de vida ou morte –
será arte?

Ferreira Gullar

De volta às minhas vontades…as vezes dou uma de Caio Fernando Abreu.

“Fico vivendo uma vida toda pra dentrolendoescrevendoouvindo música o tempo todo.” Caio Fernando Abreu

Assim como eu posso passar um dia inteiro só lendo, escrevendo e ouvindo música, também posso passar um dia inteiro conversando com alguém, acho que minha vontade é de conhecer seja por livros, conhecer Sarte, Kant…quando leio algum livro sempre gosto de saber em que época da história o escritor estava pra conhecer o tempo do mesmo. Como também conhecer pessoas, descobrir mundos é fantástico, compartilhar coisas, histórias , fazer momentos…você pode estar sentado ao lado da sua possível alma gêmea que também ama Muuuuuseeee, jazz, rock, clássicos, adora Cheetos mergulhado em iogurte de banana( Camila, só você no mundo gosta disso, ai é demais…),comer pipoca com brigadeiro enquanto assiste Amelie Poulain pela milionésima vez, é viciado em seriados, adora café e chimarrão, é fã de Alan Moore,Tarantino, Scorsese,Woody Allen…ou seja você pode estar sentado ao lado da sua alma gêmea ou da sua possível melhor amiga, ou de uma vovó que tem muitas histórias e que se você tivesse trocado um oi algo poderia mudar a partir daquele simples oi.

Mas não só de bons fatos se faz a vida, temos que saber também o que  não somos, através de momentos e ações de uma pessoa, valores como respeito, confiança, sinceridade, e a partir do momento que alguém os trai essa pessoa passa a não existir mais dentro do seu  mundo, indiferença torna as pessoas imperceptíveis.

Complicado esse negócio de existência, real, imaginário… e olhe que de número complexo eu entendo.

Isso é mais uma questão metafísica…

__Eu sempre achei que você deveria ter feito filosofia, Mila.

__Pois é Agatha…quem sabe, quando eu for lhe visitar em Londres  vai que me apaixone por Oxford de tanto você me falar e acabe fazendo filosofia de vez…

__Mais café?

__Por favor…

 

Ps: pra quem não conhece ainda, Agatha Bianucci é a personagem principal do meu livro. Adoro conversar com Agatha e Aurélio =p tah pode me chamar de doida.

Ps2: Esse post foi tão  #mundodesofiafeellings  , adoro O mundo de Sofia =)

Ps3: saiu Mortal Kombat pra o console, eu quero jogaaaar =p (vaiiii nerd)

Ps4: Metallica vai tocar no Rock in Rio, ahhhhhhhh foda!Quem vai?? euuuuuu \o/

Ps5: ÔÔÔÔÔ O TRICOLOR VOLTOU!!BAHÊÊÊÊÊÊAAAAAA, MINHA PORRA!

 

…ao som de Metallica!