devaneios

Ser ou ter, eis a questão?

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“Você não é o seu emprego. Você não é quanto dinheiro  tem no banco. Você não é o carro que  dirige. Você não é o conteúdo da sua carteira. Você não é as calças  que veste….” (Fight Club) You do not talk about fight club.

Confesso, eu tenho uma bolsa da Carmen Steffens!

Nos tempos que usava pulseirinhas de hippie, saião e maior parte do tempo haviana, coisas de marca para mim eram um luxo que não fazia questão de ter, e nem tinha condições. Na minha formatura as pulserinhas foram cortadas em um ritual de passagem,  pela primeira vez usava uma sandália da Carmen Steffens, a partir de então virei engenheira e tinha um “status” a construir.

Custei a mudar…menina tu num tem vergonha de usar essa blusa velha não, agora você é engenheira tem de parar de usar esses trapos.  Um vestido aqui, outra blusa ali, maquiagem agora era MAC, vou trabalhar no escritório do Rio, “preciso” de uma bolsa chique, e foi assim que comprei a tal da Carmen! Me dei de “presente” ano passado, dois vestidos da farm, que nunca um dia imaginaria ter.

Carro era uma coisa que também não fazia questão, nunca precisei realmente,  criada em cidade do interior fazia tudo a pé, e desde os 17 anos que fui estudar fora, locomoção nunca foi problema, morei perto da universidade, e depois no trabalho sempre tive transporte, até que vim trabalhar aqui na Bahia e resolvi comprar para poder visitar minha família que estava perto.

Não tenho um milhão de coisas, minha vida nômade não permite, mas nos lugares que moro geralmente compro umas tralhinhas que acredito serem úteis, mas como nunca fui de me apegar a coisas, vou deixando nos lugares que passo.

Fim do ano passado quis trocar meu carro que ainda era novinho por um maior, mais espaçoso que coubesse uma prancha que ainda nem tinha…mudei, acho que virei a tal engenheira que não usa mais pulseirinha de hippie.

Aí veio o ano novo…e Piracanga!!Ah…Piracanga(que merece um post inteiro)…e deu aquela chacoalhada, sabe aquelas experiências transformadoras que te fazem uma nova pessoa, então,  virei uma quase”nova”, voltei a querer ser aquela menina que usava pulseirinha de hippie, dread linha no cabelo, e não tava nem ai para marca.

Como já dizia Tyler Durden: “As coisas que você possui, acabam possuindo você”.

A Netflix me recomendou um doc que tinha 97% de combinação comigo, já disse que amo a sessão de doc deles? E acertou em cheio!! Minimalismo, que mostra dois caras que saíram pelos Estados Unidos para divulgar seu livro sobre a desconstrução do tal sonho americano, de que felicidade é ter muitas coisas, e optaram por reduzir o que tinham para itens que realmente trouxeram valor para suas vidas, remover o excesso e se concentrar no mais importante. Não é sobre deixar de consumir, mas sobre como a sociedade transformou o consumismo como pré-requisito para felicidade, quando o ter virou mais importante que o ser.

“Ame as pessoas e use as coisas, porque o oposto nunca funciona”.

Desapegar das coisas é um exercício que pratico muito toda vez que faço uma nova mudança, e que faz bem, não me considero uma consumista compulsiva, exceto pelos livros que tenho mais que sapatos, ainda não consigo resistir a uma livraria, uma viagem , uma experiência que levarei para vida toda me faz muito mais feliz que uma sandália caríssima da Carmen Steffens.

É complicado tentar viver nessa tal sociedade que nos bombardeia constantemente com um tipo de felicidade enlatada de comercial. A roupa dessa semana já não é mais a da moda, o celular já virou ultrapassado, coisas,coisas e mais coisas sendo vendidas com adesivo de seja feliz agora. Ixi…que vazio, passou, compre mais e seja feliz de novo.

Ainda bem que valores podem mudar, obrigada Piracanga pela chacoalhada, acho que minha cota de coisas de marca já deu, e a vontade de trocar de carro passou…e que cada dia mais eu procure ser do que ter.

…ao som de Bob Dylan!