…um ponto, infinitas retas!

“Por um ponto passam infinitas retas.”

“Para se fazer uma linha são necessários dois pontos.”

Essas duas frases para mim são mais filosóficas e subjetivas do que definições geométricas.

Pausa para aquele café quentinho e insight filosófico.

Estava eu a ensaiar nesse exato momento, a apresentação da defesa da minha proposta de dissertação do mestrado: Otimização do problema de planejamento energético de sistemas hidrotérmicos de geração de energia elétrica.

Entre matriz energética brasileira, geração de energia, problema de planejamento, eis que me vêm um tipico insight filosófico: o ponto em que mudamos a nossa visão de algo quando passamos a ter mais conhecimento sobre este.

Olhamos a primeira vez  um livro, aquela primeira paquerada, é algo superficial, podemos achar bonita a capa, a sinopse interessante, tá vou levar.

Primeira página, segunda, terceira…última página. E mais um ponto surge e nele passam infinitas retas.

Olhamos novamente para o livro, agora a relação é algo profundo passou do que era só uma capa e sinopse para: nomes, lugares, risos, lágrimas, coração acelerado, ansiedade, ai queimei minha língua no café, emoções…

O doce prazer de saborear um prato chamado conhecimento.

Um dos prazeres que mais aprecio na vida: conhecer, fazer pontos e  a partir deles linhas, muitas linhas.

O insight surgiu a partir dessa imagem, alguns vão olhar e ver apenas: retas, triângulos, bolinhas, outros vão ver: bacias, cascatas, montantes, jusantes, usinas. Sabe o que eu vi? Eu vi o Leonardo, a Mônica, o Makoto, o Secundino e todo pessoal do COSE da Unicamp.

Todos eles tinham esse diagrama esquemático nas mesas de trabalho.

Melhor que pontos feitos por livros, informações, são aqueles feitos por desconhecidos que viram nomes,  e nomes que viram rostos.

Antes da minha visita ao COSE tinha lido as teses do Leonardo, da Mônica, diversos artigos do Secundino, hoje quando olho para as publicações eu vejo rostos ao invés de nomes.

Percepção é uma das coisas mais fantásticas e que me deixa mais intrigada.

Podemos conviver em um mesmo espaço e tempo com diversas pessoas e nem notá-las, mas um simples ponto pode fazer o que era desconhecido virar um nome, um rosto.

Fotos de festa, eventos, ao fundo diversos desconhecidos e você nem nota quem são. Em um dado espaço tempo depois um destes cruza o seu caminho: é a última Heineken, me deixa levar. Um ponto é feito. Você olha novamente a mesma foto e por uma mágica chamada percepção,  mais alguém surge na foto  e  quem era só um desconhecido  passa a ter um nome.

Quanto mais conhecemos algo, alguém mais diferenciada e profunda é nossa visão, analogamente, seria como passar uma quantidade maior de retas a partir daquele ponto criado.

Viva a criação de pontos: oi, sorrisos, olhares, conversas, Heinekens, leituras, festas, músicas, cheiros, lugares, telefonemas, lágrimas, tudo bem, desculpa, prazer…meu nome é Camila Maciel e eu adoro fazer pontos.

Café acabou, voltar a passar mais retas no meu ponto chamado mestrado.

…ao som de Sigur Rós!

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