…Bela discussão do Monte Belo!

Janeiro de 2006 é solicitado pela ELETROBRÁS a abertura do processo de licenciamento no IBAMA para usina hidroelétrica de Belo Monte.

Guerreiros apresentem-se: eu sou ator, eu sou atriz, engenheira, técnico, dentista, noveleira, roqueiro, nadador, médico, garçom, aeromoça, açougueiro, cientista…

Escolham suas armas: facebook, youtube, textos, blogs, sites, reportagens, dicionário, palavras difíceis, estatísticas, livros, palavrões, música, cartazes…

Preparar, logar, fogo!

15 de novembro de 2011 é solicitado pelos atores e atrizes da Globo que parem Belo Monte.

De terça para cá não se tem discutido outra coisa na Webesfera, é gota para lá, gota para cá, eu sou contra, eu sou a favor.

A coisa boa do vídeo é o Malvino Salvador e que eu dou todo apoio foi abrir a discussão para o assunto.  Mas peraê Maciel, o processo de abertura do projeto foi em 2006, pois é.

Foi só rostinhos bonitos e conhecidos de todos das novelas dizerem para a massa televisiva que Belo Monte é ruim que pronto.

Para grande maioria da população brasileira o único meio de acesso a informação ainda é a televisão, se a Globo diz, então deve ser verdade, e se forem lindos atores e atrizes da novela das 20h que começa às 21h ai que é verdade mesmo.

Na segunda estava eu a conversar com meu mestre Jedi das startups na tentativa frustrada de convencê-lo a ir comigo para o fodástico Coldplay x Oasis no lindo Groove, eis que surge uma reportagem na TV Bahia sobre a semana global do empreendedorismo, cujo tema foi uma oficina de automóveis com lava jato, sua calma baiana e Jedaica o impediu de picar a havaiana na TV.

E Maciel com Maciel começa uma discussão filosófica sobre o papel da TV, segundo Maciel 2 a próxima revolução da internet será a TV social onde a gente grava o que queremos assistir. Maciel 1 utópica já pensa logo lá no Seu Zé que mora na roça no interior de Barreiras e a TV ainda é daquelas que nem controle remoto tem(acredite ainda existe), do que adianta termos essa TV fodastica se a grande maioria da população não vai ter condições de comprar e continuará a assistir a novela da Globo.  Paradoxo isso, diz Maciel 2, se eu fosse um gringo iria achar que só tem maluco aqui e acho que só tem mesmo.

Inclusão digital, sempre defendi a difusão do conhecimento, atualmente o meio rápido e acessível a qualquer pessoa com uma conexão é a tal da internet.  Diferente dos meus tempos de mirc, hoje mais pessoas tem possibilidade de ter acesso ao mundo da internet provido de muito, muito conhecimento e diversas opiniões além da única dada pela TV. Mas, do que adianta você ter mil caminhos diferentes se as pessoas são cômodas e sempre escolhem o mesmo e mais fácil.

Analfabetismo digital. Ler ou assistir algo é diferente de interpretar, é mais fácil ser passivo e acreditar nas opiniões prontas bonitinhas e formadas do que esquentar os miolos interpretando e construindo a própria.

Você tem um mundo em suas mãos e passa o dia inteiro compartilhando fotinha, tirinhas, vídeos, frases de Caio Fernando e Companhia, e nem sabe o que esta acontecendo de realmente importante e construtivo no país e no mundo.

Se não virasse moda garanto que a maioria nem saberia que Belo Monte não são varias pessoas bonitas fazendo montinho.

Como sempre disse que sou super a favor da perpetuação do conhecimento, em especial como engenheira eletricista acho fantástica a idéia de pessoas estarem discutindo sobre energia, usina, planejamento energético, PAC, Watts, turbinagem, montante, jusante, fio d´água, opa,  me empolguei, tá as últimas é demais querer que muitos entendam o que é.

O ponto principal é esse, vivemos em um país que muita gente não sabe nem o que é Watt, educação é a chave de tudo.

Eu sou a favor de pegar esses 30 bilhões e aumentar o salário dos professores, construir escolas, universidades, melhorar a qualidade do ensino, investir em pesquisa, projetos.

É uma pena que um assunto de tanta importância só tenha tomado uma magnitude maior por causa de um vídeo com atores da Globo.

Alguns curtiram porque o Malvino Salvador é lindo era cool seguir a moda estilo Maria Vai Com As Outras e claro ser ativista ambiental te faz ser “bonzinho”, outros só para ser  do contra e se fazer de “mal”se recusaram a assistir, os técnicos, engenheiros e principalmente aspirantes a futuros engenheiros eram os mais exaltados afinal eles sabem tudo de energia elétrica quem é ator da Globo para falar sobre projeto de engenharia,  palavrão para lá, burro, analfabeto, idiotas, palavras bonitas para cá…

Viva a liberdade de expressão!Para dar uma opinião de algo acho que se deve conhecer de fato o assunto, um vídeo é muito pouco para te fazer ser a favor ou contra algo, não acredite de primeira em tudo o que assiste e lê por ai. Infelizmente muitos acreditam, é o tal do analfabetismo digital.

E não é só porque alguns tem um diploma, ou estudam engenharia que o fazem alfabetizados e especialistas no assunto, os tais sabe tudo.

A grande maioria dos engenheiros só sabem fazer conta, a área energética do Brasil vai muito além de conta e termos técnicos.

Centrar o mundo no próprio umbigo, eu sou certo, você é o errado, queda de braço para ver quem sabe mais.

Ao invés de queda de braço, sou a favor de um aperto de mão caloroso, vamos juntos procurar saber mais sobre o assunto para melhorar nossa opinião. Tirar o freio de burro e pensar macro, além do próprio umbigo.

Fundamentem seus argumentos e o principal respeito à opinião dos outros. É um tal de criticar, criticar, criticar.

Abra sua mente, gay também é gente e baiano fala “oxente”. Sábios Mamonas.

Felizmente eu sou engenheira eletricista e não sei de tudo, ainda bem, sou uma eterna aprendiz, a vida de quem sabe tudo deve ser muito sem graça, o mais gostoso são as descobertas.

Já tinha ouvido falar sobre Belo Monte, atire a primeira pedra quem só ficou sabendo mais do assunto por agora. Curiosa como sou fui pesquisar assim como os atores da Globo, sobre o assunto. Não acredite em mim, nem nos atores da Globo, nem no seu amiguinho do facebook, acredite em você, formule sua própria opinião.

“I’m free to say whatever I,
Whatever I like
If it’s wrong or right it’s alright.” Sábios Oasis.

Como pesquisadora e futura mestre em otimização do problema do planejamento energético de geração de energia do Brasil, não li dados suficientes para me tornar especialista no caso Belo Monte, mas como cidadã formei minha opinião baseada não só em dados, mas em especial na minha vivência e nas pessoas que eu li falando sobre o assunto.

Preparados? Que rufem os tambores…

Eu sou contra!

Como assim Maciel? Você engenheira eletricista que trabalha construindo subestação poderia ganhar parte daquele bilhão, contra a construção de uma usina hidrelétrica.

A opinião que me fez bater o martelo foi a, se tudo der certo, do meu futuro orientador do doutorado, ex-orientador da minha orientadora e mestre Jedi em planejamento energético brasileiro que eu tive a oportunidade e prazer de conhecer na minha visita à Unicamp, Secundino Soares Filho. Na minha futucada no Google, encontrei a opinião de alguns professores da Unicamp em um debate que teve em abril do ano passado, e olha quem eu encontro lá, esse mundo é pequeno demais.

“Quer saber se Belo Monte é a melhor alternativa para a geração de energia no Brasil neste momento? Na minha opinião, a resposta é não”, afirma ele que, como argumento, defende que antes de se falar em aumento da oferta, o País deveria discutir medidas para evitar o desperdício.

Um exemplo? “Estudos apontam que 10% da energia consumida no País é para uso do chuveiro elétrico. Então o governo deveria investir em coletores residenciais para famílias de baixa renda, como uma das medidas de uso eficiente”, opina.

 Fonte: http://www.unicamp.br/unicamp/imprensa/clipping-unicamp/2010/abril-de-2010/17-e-18-de-abril-de-2010/17-e-18-de-abril-de-2010-texto

Outra reportagem e opinião que achei interessante foi a de Célio Bermann, um dos mais respeitados especialistas do país na área energética. Bermann é professor do Instituto de Eletrotécnica e Energia da Universidade de São Paulo (USP), com doutorado em Planejamento de Sistemas Energéticos pela Unicamp. ( ai ai Unicamp…já disse que me apaixonei por ela)

 Recomendo a leitura da entrevista inteira, o trecho que achei mais interessante:

Não é verdade que nós estamos à beira de um colapso energético. Não é verdade que nós estamos na iminência de um “apagão”. Nós temos energia suficiente. O que precisamos é priorizar a melhoria da qualidade de vida da população aumentando a disponibilidade de energia para a população. E isso se pode fazer com alternativas locais, mais próximas, não centralizadas, com a alteração dos hábitos de consumo. É importante perder essa referência que hoje nos marca de que esse tipo de obra é extremamente necessário porque vai trazer o progresso e o desenvolvimento do país. Isso é uma falácia. É claro que, se continuar desse jeito, se a previsão de aumento da produção das eletrointensivas se concretizar, vai faltar energia elétrica. Mas, cidadãos, se informem, procurem pressionar para que se abram canais de participação e de processo decisório para definir que país nós queremos. E há os que dizem: “Ah, mas ele está querendo viver à luz de velas…”. Não, eu estou dizendo que a gente pode reduzir o nosso consumo racionalizando a energia que a gente consome; a gente pode reduzir os hábitos de consumo de energia elétrica, proporcionando que mais gente seja atendida, sem construir uma grande, uma enorme usina que vai trazer enormes problemas sociais, econômicos e ambientais. É importante a percepção de que, cada vez que você liga um aparelho elétrico, a televisão, o computador, ou a luz da sua casa, você tenha como referência o fato de que a luz que está chegando ali é resultado de um processo penoso de expulsão de pessoas, do afastamento de uma população da sua base material de vida. E isso é absolutamente condenável, principalmente se forem indígenas e populações tradicionais. Mas também diz respeito à nossa própria vida. É necessário ter uma percepção crítica do nosso modo de vida, que não vai se modificar amanhã, mas ela precisa já estar na cabeça das pessoas, porque não é só energia, é uma série de recursos naturais que a gente simplesmente não considera que estão sendo exauridos e comprometidos. É necessário que desde a escola as crianças tenham essa discussão, incorporem essa discussão ao seu cotidiano. Eu também tenho uma dificuldade muito grande de chegar aqui na minha sala e não ligar logo o computador para ver emails, essas coisas. Confesso que tenho. Mas eu também percebo uma grande satisfação quando eu consigo não fazer isso. E essa percepção da satisfação é uma coisa cultural, pessoal, subjetiva. Mas ela precisa ser percebida pelas pessoas. De que o nosso mundo não existe apenas para nos beneficiarmos com essas “comodidades” que a energia elétrica em particular nos fornece. Agora isso exige um esforço, e a gente vive num mundo em que esse esforço de perceber a vida de outra forma não é incentivado. Por isso é difícil. E por isso, para quem quer construir uma usina, quer se dar bem, quer ganhar voto, quer manter a situação de privilégio, seja local ou nacional, para essas pessoas é muito fácil o convencimento que é praticado com relação a essas obras. Por mais que eu tenha sempre chamado a atenção para o caráter absolutamente ilógico da usina, das questões que envolvem a lógica econômico e financeira dessa hidrelétrica, para o absurdo que é a utilização do dinheiro público para isso, para a referência à necessidade de se precisar, num futuro próximo, enfrentar um ritmo violento de custo de vida, emitindo moeda para sustentar empreendimentos como esse, é muito difícil fazer com que as pessoas compreendam a relação dessa situação com as grandes obras. E Belo Monte é mais um instrumento disso. Eu não sou catastrofista, não tenho a percepção maléfica da hidroeletricidade. Não demonizo a hidroeletricidade. Eu apenas constato que, da forma como ela é concebida, particularmente no nosso país nos últimos anos, é uma das bases da injustiça social e da degradação ambiental. Se não é pensando em você, você necessariamente vai precisar pensar nas gerações futuras. Este é o recado para o leitor: é preciso repensar a relação com a energia e o modelo de desenvolvimento, é preciso mudar o nosso perfil industrial e também é preciso mudar a cultura das pessoas com relação aos hábitos de consumo. Nós precisamos mudar a relação que nos leva a uma cega exaustão de recursos. 

Fonte: http://revistaepoca.globo.com/Sociedade/noticia/2011/10/belo-monte-nosso-dinheiro-e-o-bigode-do-sarney.html

Haja local pense global, uma das máximas que aprendi no mundo do empreendedorismo.

Quando eu penso nas minhas lembranças mais belas e que tiraram meu fôlego todas tinham como personagem principal belezas naturais. Chapada Diamantina: mergulhar na gruta da pratinha, escorregar na pedra do rio que eu não lembro o nome em Lençois, as formações rochosas que parecem ter sido feitas a mão da gruta da Lapa doce, tirar umbu direto do pé, beber com meu pai em uma mesa dentro do rio (foto) em Barreiras, as praias belíssimas do Morro de São Paulo, RJ, da minha amada Salvador e tantas outras. Passei boa parte da minha infância no mar, por causa da casa da ilha, praticamente um  peixe acho que é por isso que eu amo praia.

Correr na praia, fiz isso hoje, simples prazeres diários.

A vida não é só computador, celular, microondas, TV, viramos dependentes da energia, de estar conectado o tempo inteiro, a idéia de não ter isso é muitas vezes apavorante,  culpa da rotina e comodismo.

Quando falta energia a primeira coisa que se faz é ir no vizinho para vê se faltou também. Aqui está sem vela, você tem?Vamos fazer um lual, vou pegar o violão.

Já usei candieiro, aqueles feito com latas de óleo, na roça lá no interior de Irecê, juntava todos os primos da família Maciel e contavamos histórias do tal do Lobisomem do Serra Queixo.

O consumismo frenético e o ritmo acelerado deixou as pessoas mais egoístas e cabeça dura, presos em uma vida cercada de concreto.

Máquinas não reproduzem sensações e sentimentos, pelo menos ainda não, a vida é feita de pessoas e lugares.

Precisamos mesmo é construir pessoas mais humanas. Peace and Love, no war!

“All you need is Love.” Sábios, Beatles.

…ao som de Arctic Monkeys!

Uma resposta to “…Bela discussão do Monte Belo!”

  1. Good morning there! Would you mind if I communicate your site with my office group? There’s tons of individuals that I sense would thoroughly be thankful for your writings . Please let me know. Thanks

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